Doenças endêmicas no Brasil

A pandemia atual de COVID-19 tem levado pesquisadores do mundo a uma corrida contra o tempo para encontrar um tratamento eficaz e seguro contra o novo coronavírus. O relatório divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), no dia 7 de julho, mostrou que há 158 estudos em desenvolvimento de uma vacina contra o patógeno. Além disso, 21 delas já estão na fase de ensaios clínicos – testes com humanos. 

Apesar da força tarefa para frear o avanço do novo coronavírus, autoridades de saúde e especialistas não sabem quando o vírus desaparecerá. Em maio, a OMS alertou “que não é possível prever quando, e se, o coronavírus vai desaparecer”. Afirmou ainda que ele pode se tornar um vírus endêmico – igual a outros vírus, como o HIV.  

Mas você sabe o que é uma endemia? Quando um vírus pode se tornar endêmico?

Na epidemiologia, uma doença é classificada como endêmica quando ocorre com frequência em uma região, não se espalhando por outras comunidades. Isso quer dizer que, endemia é uma doença que se manifesta de forma restrita apenas numa determinada área, de causa local. Então, para uma doença ser considerada endêmica ela atingirá apenas um determinado território e irá permanecer provocando novos casos, com frequência.

O início do século XX no Brasil foi uma época com vários estudos sobre a etiologia – o estudo ou ciência das causas – e a ocorrência de diversas endemias. Embora, os estudos tenham progredido e contribuído para o controle das doenças endêmicas, ainda temos várias regiões que continuam sendo afetadas. A seguir, separamos as principais doenças infecciosas consideradas endêmicas em nosso país.

1 – Leishmaniose

A Leishmaniose é causada por um protozoário do gênero Leishmania, que se multiplica nas células de defesa do ser humano, chamadas macrófagos. Sua transmissão é feita por insetos que se alimentam de sangue e sua evolução é longa, podendo durar meses e até mais de um ano. Além disso, pode ser letal.

No território brasileiro, são registrados em média cerca de 3.500 casos da doença anualmente, e o coeficiente de incidência é de 2,0 casos/100.000 habitantes. Nos últimos anos, a letalidade vem aumentando gradativamente, passando de 3,1% em 2000 para 7,1% em 2012.

O país ainda é responsável por 90% dos casos registrados na América Latina. As regiões Norte e Nordeste são as mais afetadas, devido à precariedade de condições sanitárias, favorecendo a disseminação da doença. A Leishmaniose é considerada endoenças endêmicas no Brasil

 Artigo  Ciências da Saúde  10/07/2020  endemia, doenças endêmicas

A pandemia atual de COVID-19 tem levado pesquisadores do mundo a uma corrida contra o tempo para encontrar um tratamento eficaz e seguro contra o novo coronavírus. O relatório divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), no dia 7 de julho, mostrou que há 158 estudos em desenvolvimento de uma vacina contra o patógeno. Além disso, 21 delas já estão na fase de ensaios clínicos – testes com humanos.

Apesar da força tarefa para frear o avanço do novo coronavírus, autoridades de saúde e especialistas não sabem quando o vírus desaparecerá. Em maio, a OMS alertou “que não é possível prever quando, e se, o coronavírus vai desaparecer”. Afirmou ainda que ele pode se tornar um vírus endêmico – igual a outros vírus, como o HIV. 

Mas você sabe o que é uma endemia? Quando um vírus pode se tornar endêmico?

Na epidemiologia, uma doença é classificada como endêmica quando ocorre com frequência em uma região, não se espalhando por outras comunidades. Isso quer dizer que, endemia é uma doença que se manifesta de forma restrita apenas numa determinada área, de causa local. Então, para uma doença ser considerada endêmica ela atingirá apenas um determinado território e irá permanecer provocando novos casos, com frequência.

O início do século XX no Brasil foi uma época com vários estudos sobre a etiologia – o estudo ou ciência das causas – e a ocorrência de diversas endemias. Embora, os estudos tenham progredido e contribuído para o controle das doenças endêmicas, ainda temos várias regiões que continuam sendo afetadas. A seguir, separamos as principais doenças infecciosas consideradas endêmicas em nosso país.

1 – Leishmaniose

A Leishmaniose é causada por um protozoário do gênero Leishmania, que se multiplica nas células de defesa do ser humano, chamadas macrófagos. Sua transmissão é feita por insetos que se alimentam de sangue e sua evolução é longa, podendo durar meses e até mais de um ano. Além disso, pode ser letal.

No território brasileiro, são registrados em média cerca de 3.500 casos da doença anualmente, e o coeficiente de incidência é de 2,0 casos/100.000 habitantes. Nos últimos anos, a letalidade vem aumentando gradativamente, passando de 3,1% em 2000 para 7,1% em 2012.

O país ainda é responsável por 90% dos casos registrados na América Latina. As regiões Norte e Nordeste são as mais afetadas, devido à precariedade de condições sanitárias, favorecendo a disseminação da doença. A Leishmaniose é considerada endêmica em 76 países, e no continente americano é detectada em pelo menos 12 regiões.

2 – Esquistossomose

No Brasil, a esquistossomose também é conhecida como “xistose”, “barriga d’água” ou “doença dos caramujos”. É uma doença parasitária causada pelo Schistosoma mansoni, que ao entrar no corpo se instala nos vasos sanguíneos do intestino, no sistema urinário e no fígado e começa a se reproduzir dentro do organismo. Os principais fatores de risco para sua transmissão abrangem a ausência de saneamento básico, água potável e pisar ou lavar objetos em água contaminada.

Atualmente, as áreas endêmicas que a doença se manifesta no país são: Alagoas, Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte (faixa litorânea), Paraíba, Sergipe, Espírito Santo, Minas Gerais (predominantemente no Norte e Nordeste do Estado), Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás e no Distrito Federal, a transmissão é focal, não atingindo grandes áreas.

3 – Doença de Chagas

A Doença de Chagas, também chamada de Tripanossomíase americana, é uma doença parasitária causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi – descoberto por Carlos Chagas em 1909 – e que afeta o sistema cardiovascular.  Ela se apresenta em uma fase aguda, que pode ser sintomática ou não, e uma fase crônica, etapa em que o infectado pode ter sintomas cardíacos ou digestivos.

A partir da década de 1970, as ações de controle de vetores foram essenciais para diminuir os casos no Brasil. Em 2006, o país recebeu a certificação Internacional da interrupção da transmissão vetorial pelo Triatoma infestans, espécie exótica e responsável pela maioria das transmissões antigamente.

Considerada uma doença endêmica, a Doença de Chagas é comum em países subdesenvolvidos e estima-se que haja 12 milhões de portadores nas Américas. No Brasil, atualmente, há registro de pelo menos um milhão de pessoas infectadas pelo protozoário.

4 – Hanseníase

Popularmente conhecida como lepra, a hanseníase é uma infecção crônica causada pelas bactérias Mycobacterium lepra e ou Mycobacterium lepromatosis. As manifestações dos seus sintomas são graduais e atingem principalmente a pele e nos nervos periféricos com capacidade de gerar lesões neurais. Os sintomas podem também ser acompanhados por diminuição da visão e fraqueza.

Em 2003, o país registrou o pico da doença, com 51.941 casos. Por isso, desde 2016, o Ministério da Saúde oficializou o mês de janeiro e a cor roxa para campanhas educativas sobre a doença no território brasileiro. De acordo com a pesquisa realizada pela OMS, o Brasil é o segundo no número de casos de hanseníase no mundo, registrando cerca de 30 mil novos casos na última década, ficando atrás apenas da Índia.

Para entender a diferença entre pandemia, endemia e epidemia, clique aqui.  êmica em 76 países, e no continente americano é detectada em pelo menos 12 regiões.


2 – Esquistossomose

No Brasil, a esquistossomose também é conhecida como “xistose”, “barriga d’água” ou “doença dos caramujos”. É uma doença parasitária causada pelo Schistosoma mansoni, que ao entrar no corpo se instala nos vasos sanguíneos do intestino, no sistema urinário e no fígado e começa a se reproduzir dentro do organismo. Os principais fatores de risco para sua  transmissão abrangem a ausência de saneamento básico, água potável e pisar ou lavar objetos em água contaminada.

Atualmente, as áreas endêmicas que a doença se manifesta no país são: Alagoas, Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte (faixa litorânea), Paraíba, Sergipe, Espírito Santo, Minas Gerais (predominantemente no Norte e Nordeste do Estado), Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás e no Distrito Federal, a transmissão é focal, não atingindo grandes áreas.

3 – Doença de Chagas

A Doença de Chagas, também chamada de Tripanossomíase americana, é uma doença parasitária causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi – descoberto por Carlos Chagas em 1909 –  e que afeta o sistema cardiovascular.  Ela se apresenta em uma fase aguda, que pode ser sintomática ou não, e uma fase crônica, etapa em que o infectado pode ter sintomas cardíacos ou digestivos.

A partir da década de 1970, as ações de controle de vetores foram essenciais para diminuir os casos no Brasil. Em 2006, o país recebeu a certificação Internacional da interrupção da transmissão vetorial pelo Triatoma infestans, espécie exótica e responsável pela maioria das transmissões antigamente.

Considerada uma doença endêmica, a Doença de Chagas é comum em países subdesenvolvidos e estima-se que haja 12 milhões de portadores nas Américas. No Brasil, atualmente, há registro de pelo menos um milhão de pessoas infectadas pelo protozoário.

4 – Hanseníase

Popularmente conhecida como lepra, a hanseníase é uma infecção crônica causada pelas bactérias Mycobacterium lepra e ou Mycobacterium lepromatosis. As manifestações dos seus sintomas são graduais e atingem principalmente a pele e nos nervos periféricos com capacidade de gerar lesões neurais. Os sintomas podem também ser acompanhados por diminuição da visão e fraqueza.

Em 2003, o país registrou o pico da doença, com 51.941 casos. Por isso, desde 2016, o Ministério da Saúde oficializou o mês de janeiro e a cor roxa para campanhas educativas sobre a doença no território brasileiro. De acordo com a pesquisa realizada pela OMS, o Brasil é o segundo no número de casos de hanseníase no mundo, registrando cerca de 30 mil novos casos na última década, ficando atrás apenas da Índia.Para entender a diferença entre pandemia, endemia e epidemia, clique aqui.