Nasa vai jogar uma nave contra um asteroide, em alta velocidade. 
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Não existe forma de dizer isso de forma amenizada, então vamos apenas jogar essa discussão na mesa: a agência espacial americana Nasa vai jogar uma nave contra um asteroide, em alta velocidade. Porque a ciência exige.

Não, não estamos fazendo uma analogia: no sentido mais literal possível, a missão intitulada “Duplo Teste de Redirecionamento de Asteroide” (do inglês, “DART”) vai lançar uma espaçonave da Terra, acelerá-la ao máximo possível e, sem descanso, chocá-la contra o Didymos, um asteroide binário (duas rochas se movimentando em conjunto) na esperança de desviá-lo de sua rota.PUBLICIDADEhttps://092d6aa090a6387b752ac949b6b4173b.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

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Imagem do Vesta, para ilustrar matéria sobre como a Nasa pretende lançar uma nave para se chocar contra um asteroide
Dando um significado científico à expressão “um soco no queixo resolve”, a Nasa quer mandar uma espaçonave para bater com toda a força em um asteroide no espaço (Imagem: Nasa/Divulgação)

O teste vai avaliar a viabilidade de uma solução para uma pergunta que muitos – astrônomos ou não – já fizeram em algum momento: se um asteroide vier em nossa direção, podemos explodi-lo? Se não, podemos desviá-lo?https://s.dynad.net/stack/928W5r5IndTfocT3VdUV-AB8UVlc0JbnGWyFZsei5gU.html

Se na sua cabeça estão passando flashbacks do filme Armageddon, com Bruce Willis, em primeiro lugar, nos desculpe por colocar “aquela” canção do grupo Aerosmith em sua mente. Em segundo lugar, vamos com calma: a premissa do filme é a de explodir um asteroide que ameaça a vida na Terra. As agências espaciais do mundo até pensam nessa possibilidade, mas todas concordam que desviá-lo para uma órbita mais segura é o melhor curso de ação.

Basicamente, o Didymos é um asteroide binário de classe bem menor: a maior rocha mede em torno de 780 metros de extensão, enquanto a rocha satélite, com menos tamanho, chega a 160 metros. A missão DART vai mirar nessa rocha menor, esperando que o impacto direto contra ela seja suficiente para os satélites de observação da Terra analisarem possíveis mudanças de trajetória.

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“Isso vai mostrar para nós qual é a viabilidade de uma técnica chamada ‘impactador cinético’ para desviar a órbita de um asteroide e determinar se isso pode ser uma opção utilizável, pelo menos em asteroides menores, que estão entre os mais prováveis em risco de impacto [com a Terra]”, disse Lindley Johnson, Oficial de Defesa Planetária da Nasa, no começo deste ano ao Space.com.

O que Johnson diz é verdade: quando pensamos em “impacto de asteroide”, a cultura pop nos condicionou a pensar no evento cataclísmico de uma rocha espacial com vários quilômetros de extensão, da qual um único choque varreria a humanidade da existência. 

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Não que isso seja impossível: o bolide que criou a Cratera de Chicxulub e causou a extinção dos dinossauros ao cair no que hoje é a Península de Yucatán, no México, não passava de 10 quilômetros, e veja o que ele fez. Mas hoje, objetos bem menores que isso já estão no nosso radar e estratégias de antecipação podem ser executadas rapidamente.

Os asteroides menores, porém, podem ser um problema: nem toda a nossa tecnologia consegue identificá-los de longe, e ver um problema só quando ele chega perto…bem, não nos dá uma janela favorável de tempo para reação. Evidentemente, o Didymos não tem risco de choque com a Terra, mas se o tivesse, também não destruiria a humanidade (mas os danos de queda de pedras espaciais vão além de “morte”: estimativas afirmam que um asteroide de 150 metros de extensão pode destruir um estado dos EUA em caso de impacto direto não mitigado), o que o torna perfeito para um teste de viabilidade do tipo.

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Em outras palavras: se errarmos, nada muda com o asteroide, que não nos atingirá. Se acertarmos, então ele ficará ainda mais distante de nós, com a contrapartida de que teremos um meio de defesa comprovado contra corpos futuros, se e quando eles chegarem.

A missão DART será lançada ao final de setembro de 2022 – pouco mais de um ano de hoje -, saindo da Base Vandenberg da Força Aérea norte-americana, na Califórnia. Um foguete Falcon 9 da SpaceX vai acelerar a propulsão da nave que dá nome à missão até a órbita, quando ela acionará seus propulsores próprios.

Se tudo correr de acordo com o planejado, a nave DART deve bater contra a rocha satélite a uma velocidade de 24 mil km/h, destruindo-a completamente no impacto e, com sorte desacelerando a velocidade do asteroide o suficiente para que nossos satélites consigam avaliar eventuais alterações de curso.

A DART não viajará sozinha: uma segunda nave, operada pela agência espacial italiana (ISA), chamada “Light Italian CubeSAT for Imaging Asteroids”, ou “LICIACube”, para os íntimos, estará nas imediações do choque, no intuito de registrar imagens feitas em proximidade ao episódio.

Para fins de conhecimento, a Nasa mantém monitoramento ativo em tempo real de todos os objetos a uma distância de 1,3 unidades astronômicas (uma unidade astronômica equivale a mais ou menos 150 milhões de quilômetros). Até hoje, a agência americana identificou cerca de oito mil asteroides com tamanho até 140 metros – felizmente, até pelo menos o próximo século, nenhum desses representa qualquer risco para nós.

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