
{"id":5210,"date":"2021-09-30T10:03:48","date_gmt":"2021-09-30T13:03:48","guid":{"rendered":"https:\/\/7ports.com.br\/?p=5210"},"modified":"2022-02-07T12:29:43","modified_gmt":"2022-02-07T15:29:43","slug":"tres-a-cada-quatro-venezuelanos-vivem-na-pobreza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/7ports.com.br\/?p=5210","title":{"rendered":"Tr\u00eas a cada quatro venezuelanos vivem na pobreza"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-4\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow\" style=\"flex-basis:25%\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow\" style=\"flex-basis:50%\">\n<p>A Venezuela sem gasolina \u00e9 mais desigual. \u00c9 o que mostra a nova Pesquisa de Condi\u00e7\u00f5es de Vida, apresentada na ter\u00e7a-feira pela Universidade Cat\u00f3lica Andr\u00e9s Bello. O estudo revela como o agravamento da pobreza no pa\u00eds no \u00faltimo ano esteve bastante relacionado \u00e0 crise de abastecimento de combust\u00edvel e a redu\u00e7\u00e3o da mobilidade. O estudo tamb\u00e9m \u00e9 o retrato de um pa\u00eds que deixou de ser petrol\u00edfero, onde 94,5% dos habitantes s\u00e3o pobres e 76,6% est\u00e3o abaixo da linha de pobreza extrema. A pesquisa, chamada Encovi, conclui que a paralisa\u00e7\u00e3o quase total provocada pela escassez de combust\u00edvel, que n\u00e3o desapareceu nem com os envios de emerg\u00eancia de Teer\u00e3 (capital do Ir\u00e3) para Caracas, agravou a recess\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados mostram que as medidas do Governo contra a covid-19 acabaram catapultando a crise. As iniciativas para frear a pandemia, em um pa\u00eds com uma circula\u00e7\u00e3o do v\u00edrus semelhante ao que \u00e9 visto em na\u00e7\u00f5es mais isoladas, custaram \u00e0s crian\u00e7as um ano e meio fora das salas de aula e levaram \u00e0 paralisa\u00e7\u00e3o de parte do setor produtivo, com um esquema de sete dias de quarentena seguidos de sete dias de abertura. \u201cCopiar as medidas contra o v\u00edrus de pa\u00edses com cont\u00e1gios como os da Am\u00e9rica Latina, quando n\u00e3o os temos, refor\u00e7ou a recess\u00e3o\u201d, diz um dos pesquisadores da Encovi, o soci\u00f3logo Luis Pedro Espa\u00f1a.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos dados mais preocupantes da pesquisa \u00e9 o do desemprego, que j\u00e1 afeta 8,1 milh\u00f5es de venezuelanos \u2014 que n\u00e3o t\u00eam trabalho nem incentivos para trabalhar. Os que trabalham s\u00e3o 7,6 milh\u00f5es, ao passo que quase a metade deles gostaria de trabalhar mais horas, j\u00e1 que, devido ao confinamento e \u00e0 crise de mobilidade, grande parte do pa\u00eds cortou quatro horas da sua jornada. No grupo dos inativos h\u00e1 3,6 milh\u00f5es de desalentados que deixaram de procurar emprego e 1,5 milh\u00e3o de mulheres com filhos que n\u00e3o podem trabalhar por conta das atividades maternas.<\/p>\n\n\n\n<p>Apenas um ter\u00e7o das venezuelanas tem ocupa\u00e7\u00e3o regular, um \u00edndice bem inferior \u00e0 taxa m\u00e9dia da Am\u00e9rica Latina inclusive depois do retrocesso causado pela pandemia. Entre 2014 e 2021, o emprego formal se reduziu em 21,8 pontos percentuais, o que significa 4,4 milh\u00f5es de postos de trabalho, 70% dos quais no setor p\u00fablico, e o restante na iniciativa privada. S\u00f3 no \u00faltimo ano foram eliminadas 1,3 milh\u00e3o de vagas e, por isso, metade da m\u00e3o de obra hoje trabalha por conta pr\u00f3pria.<\/p>\n\n\n\n<p>As disparidades entre os empregados do setor p\u00fablico e privado tamb\u00e9m se ampliaram. No setor privado, 58% est\u00e3o em condi\u00e7\u00e3o de pobreza extrema, enquanto no setor p\u00fablico s\u00e3o 75%. No outro extremo, quase 10% dos empregados no setor privado n\u00e3o s\u00e3o pobres, enquanto no p\u00fablico s\u00f3 4% se salvam desta situa\u00e7\u00e3o. A precariedade do emprego no setor p\u00fablico foi mencionada pela Alta Comis\u00e1ria da ONU para os Direitos Humanos Michelle Bachelet em seu \u00faltimo relat\u00f3rio sobre a Venezuela. Um funcion\u00e1rio pode ganhar apenas 12 d\u00f3lares por m\u00eas, ao passo que um empregado do setor privado recebe em m\u00e9dia 38 d\u00f3lares por m\u00eas, e os aut\u00f4nomos t\u00eam renda m\u00e9dia de 32 d\u00f3lares.<\/p>\n\n\n\n<p>Com estes n\u00fameros se quantifica a desigualdade, que os pesquisadores calculam em 0,56 neste ano, a maior da regi\u00e3o levando em conta a refer\u00eancia dos \u00edndices de 2019 \u2014em que o Brasil, ent\u00e3o o mais desigual, registrava 0,53. \u201cEm termos de pobreza, a sociedade venezuelana est\u00e1 mais ou menos nivelada em 90%, at\u00e9 a \u00faltima faixa, especialmente o \u00faltimo d\u00e9cimo da popula\u00e7\u00e3o em que se abre a brecha dos mais ricos\u201d, afirma Espa\u00f1a. Estima-se que 10% dos venezuelanos concentrem 40% da renda nacional, e os membros deste grupo podem ser at\u00e9 15 vezes mais ricos que o estrato anterior.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar desses dados, acrescenta o soci\u00f3logo, o problema da Venezuela hoje n\u00e3o \u00e9 a desigualdade, e sim a paralisa\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o e a abissal redu\u00e7\u00e3o na entrada de divisas, de 90 bilh\u00f5es de d\u00f3lares em 2012 para 5 bilh\u00f5es em 2020, a maior parte procedente das exporta\u00e7\u00f5es n\u00e3o petroleiras privadas, uma evid\u00eancia do fim da economia petroleira e estatizada. \u201cSe distribu\u00edssemos toda a renda equitativamente entre as fam\u00edlias, a m\u00e9dia per capita seria de 30 d\u00f3lares por venezuelano por m\u00eas, ou seja, um d\u00f3lar por pessoa por dia, um cen\u00e1rio em que todos estar\u00edamos na pobreza extrema\u201d, acrescenta.<\/p>\n\n\n\n<p>O Governo de Nicol\u00e1s Maduro desenvolveu uma intensa pol\u00edtica de transfer\u00eancias direta de dinheiro por meio de um b\u00f4nus em bol\u00edvares. No caso das fam\u00edlias miser\u00e1veis, a renda pr\u00f3pria chega a no m\u00e1ximo 36 d\u00f3lares por m\u00eas, e as ajudas p\u00fablicas superam 50 d\u00f3lares, ou seja, quase 76% da renda total. Desta forma, esse contingente depende totalmente dos b\u00f4nus, e ainda assim seria preciso ampliar essas ajudas em mais de 30 vezes para poder tirar essas fam\u00edlias da pobreza extrema.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Crian\u00e7as sem escola<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Encovi, que re\u00fane a an\u00e1lise de mais de 17.000 entrevistas domiciliares com mais de 800 perguntas, se tornou nos \u00faltimos sete anos o \u00fanico medidor confi\u00e1vel da profunda crise que a Venezuela atravessa, j\u00e1 que h\u00e1 uma opacidade governamental diante de indicadores demogr\u00e1ficos, econ\u00f4micos e sociais e de presta\u00e7\u00e3o de contas. De acordo com os dados desse estudo, estima-se que pelo menos 340.000 crian\u00e7as deixaram de nascer na Venezuela em cinco anos. O impacto da migra\u00e7\u00e3o, as potenciais m\u00e3es que foram embora do pa\u00eds e o aumento da mortalidade infantil, chegando a 25,7 por cada 1.000 nascidos vivos, a mesma de 30 anos atr\u00e1s, alteraram a pir\u00e2mide populacional do pa\u00eds. \u201cAs condi\u00e7\u00f5es de vida levaram as gera\u00e7\u00f5es nascidas entre 2015 e 2020 a terem tr\u00eas anos menos de vida que as que precederam \u00e0 crise\u201d, aponta Anitza Freites, coordenadora do estudo.<\/p>\n\n\n\n<p>A popula\u00e7\u00e3o venezuelana diminuiu 1,1% na \u00faltima meia d\u00e9cada, totalizando 28,7 milh\u00f5es. \u201cTemos um pa\u00eds mais empobrecido e menor em termos demogr\u00e1ficos\u201d. Mais de quatro milh\u00f5es, sendo 90% deles na faixa dos 15 a 49 anos, emigraram nos \u00faltimos cinco anos. A raz\u00e3o do \u00eaxodo se mant\u00e9m: falta de emprego. Uma segunda raz\u00e3o para ir embora, a reagrupa\u00e7\u00e3o familiar, come\u00e7a a ganhar peso e d\u00e1 uma amostra das dimens\u00f5es do \u00eaxodo.<\/p>\n\n\n\n<p>O fechamento das escolas por mais de um ano, ocorrido em grande parte da Am\u00e9rica Latina devido \u00e0s medidas de combate \u00e0 covid-19, contribuiu para a pobreza e ter\u00e1 consequ\u00eancias que ainda est\u00e3o por serem avaliadas. A Venezuela \u00e9 um dos poucos pa\u00edses que n\u00e3o voltaram \u00e0s aulas presenciais nenhuma vez desde mar\u00e7o de 2020, quando a pandemia eclodiu. \u201c\u00c9 a escola que rompe a reprodu\u00e7\u00e3o social da pobreza, e ela passou mais de um ano desativada\u201d, questiona Espa\u00f1a. \u201cIsto far\u00e1 que a pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o de filhos de oper\u00e1rios tamb\u00e9m seja de oper\u00e1rios, porque as crian\u00e7as que ficaram em casa o m\u00e1ximo que v\u00e3o aprender \u00e9 o que sua m\u00e3e sabe.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>*Com informa\u00e7\u00f5es do El Pa\u00eds. Link para acessar a publica\u00e7\u00e3o original: <a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/internacional\/2021-09-29\/945-dos-venezuelanos-vivem-na-pobreza.html\">https:\/\/brasil.elpais.com\/internacional\/2021-09-29\/945-dos-venezuelanos-vivem-na-pobreza.html<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Imagem: Carlos Becerra\/Getty Images<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow\" style=\"flex-basis:25%\"><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Venezuela sem gasolina \u00e9 mais desigual. \u00c9 o que mostra a nova Pesquisa de Condi\u00e7\u00f5es de Vida, apresentada na ter\u00e7a-feira pela Universidade Cat\u00f3lica Andr\u00e9s Bello. 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