
{"id":8286,"date":"2024-04-14T22:57:57","date_gmt":"2024-04-15T01:57:57","guid":{"rendered":"https:\/\/7ports.com.br\/?p=8286"},"modified":"2024-04-21T22:29:31","modified_gmt":"2024-04-22T01:29:31","slug":"a-ucrania-faz-parte-do-ocidente-otan-e-uniao-europeia-deveriam-ve-la-como-tal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/7ports.com.br\/?p=8286","title":{"rendered":"A Ucr\u00e2nia faz parte do Ocidente: OTAN e Uni\u00e3o Europeia deveriam v\u00ea-la como tal"},"content":{"rendered":"\n<p>Este ano, a Ucr\u00e2nia celebra o 30\u00ba anivers\u00e1rio da independ\u00eancia<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/wa.me\/?text=A%20Ucr%C3%A2nia%20faz%20parte%20do%20Ocidente%3A%20OTAN%20e%20Uni%C3%A3o%20Europeia%20deveriam%20v%C3%AA-la%20como%20tal%20https%3A%2F%2Fwww.diplomaciabusiness.com%2Fa-ucrania-faz-parte-do-ocidente-otan-e-uniao-europeia-deveriam-ve-la-como-tal%2F\" target=\"_blank\"><\/a><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.facebook.com\/sharer.php?u=https%3A%2F%2Fwww.diplomaciabusiness.com%2Fa-ucrania-faz-parte-do-ocidente-otan-e-uniao-europeia-deveriam-ve-la-como-tal%2F\" target=\"_blank\"><\/a><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/twitter.com\/intent\/tweet?url=https%3A%2F%2Fwww.diplomaciabusiness.com%2Fa-ucrania-faz-parte-do-ocidente-otan-e-uniao-europeia-deveriam-ve-la-como-tal%2F&amp;text=A%20Ucr%C3%A2nia%20faz%20parte%20do%20Ocidente%3A%20OTAN%20e%20Uni%C3%A3o%20Europeia%20deveriam%20v%C3%AA-la%20como%20tal\" target=\"_blank\"><\/a><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/t.me\/share\/url?url=https%3A%2F%2Fwww.diplomaciabusiness.com%2Fa-ucrania-faz-parte-do-ocidente-otan-e-uniao-europeia-deveriam-ve-la-como-tal%2F&amp;title=A%20Ucr%C3%A2nia%20faz%20parte%20do%20Ocidente%3A%20OTAN%20e%20Uni%C3%A3o%20Europeia%20deveriam%20v%C3%AA-la%20como%20tal\" target=\"_blank\"><\/a><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.linkedin.com\/shareArticle?mini=true&amp;url=https%3A%2F%2Fwww.diplomaciabusiness.com%2Fa-ucrania-faz-parte-do-ocidente-otan-e-uniao-europeia-deveriam-ve-la-como-tal%2F\" target=\"_blank\"><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Por Dmytro Kuleba*<\/p>\n\n\n\n<p>Desde a dissolu\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, em dezembro de 1991, a regi\u00e3o da Europa Central \u00e0 \u00c1sia Central tem sido chamada de \u201cespa\u00e7o p\u00f3s-sovi\u00e9tico\u201d. A defini\u00e7\u00e3o sempre foi problem\u00e1tica. Agora, 30 anos ap\u00f3s o surgimento dessa denomina\u00e7\u00e3o, est\u00e1 na hora de se livrar dela. O pr\u00f3prio conceito pressup\u00f5e, erroneamente, uma certa unidade pol\u00edtica, social e econ\u00f4mica de v\u00e1rios pa\u00edses diferentes, incluindo minha querida Ucr\u00e2nia. Ainda mais preocupante \u00e9 que o uso do termo encoraja os pol\u00edticos e o p\u00fablico de fora da regi\u00e3o a verem os pa\u00edses integrantes dela atrav\u00e9s de uma mesma lente.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa abordagem simplista atende \u00e0s inten\u00e7\u00f5es imperialistas do Kremlin. O presidente russo, Vladimir Putin, n\u00e3o poupa esfor\u00e7os para promover a falsa narrativa hist\u00f3rica de que ucranianos e russos constituem \u201cuma s\u00f3 na\u00e7\u00e3o\u201d. Sua recente obra de 5.300 palavras sobre o assunto tornou-se leitura obrigat\u00f3ria para os militares russos. Vladimir Putin busca reagrupar os pa\u00edses da ex-Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e inverter o que ele chama de \u201ca maior cat\u00e1strofe geopol\u00edtica do s\u00e9culo XX\u201d. Mas, para milh\u00f5es de pessoas na regi\u00e3o, o colapso da URSS n\u00e3o foi de forma alguma uma cat\u00e1strofe, mas sim, uma liberta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>De fato, pouco depois de 1991, a hist\u00f3ria partilhada unia ainda os pa\u00edses emergentes dos escombros da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. No entanto, as trajet\u00f3rias dos mesmos foram divergentes nas d\u00e9cadas que se seguiram, o que fez que essa experi\u00eancia comum se tornasse cada vez menos relevante a eles. Os pa\u00edses ocidentais precisam deixar de nos ver como um simples \u201cespa\u00e7o p\u00f3s-sovi\u00e9tico\u201d. Mas se essa constru\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica est\u00e1 desatualizada, que enquadramento deve substitu\u00ed-la? O que os Estados Unidos e seus aliados deveriam mudar em suas pol\u00edticas em adequa\u00e7\u00e3o \u00e0 nova realidade? No caso da Ucr\u00e2nia, acima de tudo, \u00e9 preciso institucionalizar o lugar do nosso pa\u00eds no Ocidente. \u00c9 hora dos Estados Unidos e de seus aliados europeus definirem um roteiro claro para a Ucr\u00e2nia finalmente aderir \u00e0 OTAN e \u00e0 Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Arco de Hist\u00f3ria<\/h4>\n\n\n\n<p>Em meados da d\u00e9cada de 1980, a pol\u00edtica de reformas de Mikhail Gorbachev, incluindo glasnost e perestroika, desencadeou for\u00e7as centr\u00edfugas na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. As rep\u00fablicas da URSS come\u00e7aram a se distanciar de Moscou para recuperar suas identidades nacionais e encontrar sua pr\u00f3pria maneira de superar os problemas econ\u00f4micos. Os pa\u00edses, soberanos antes do estabelecimento do poder sovi\u00e9tico, come\u00e7aram a regressar ao seu estado natural. J\u00e1 em 1991, para surpresa de muitos pol\u00edticos ocidentais, o processo terminou com o colapso da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e a proclama\u00e7\u00e3o de 15 Estados independentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde ent\u00e3o, o ritmo de mudan\u00e7a tem variado de um pa\u00eds para outro. Alguns, como Belarus desaceleraram e tentaram manter sua heran\u00e7a sovi\u00e9tica; outros come\u00e7aram a se distanciar o mais longe poss\u00edvel. Os pa\u00edses B\u00e1lticos e as na\u00e7\u00f5es do antigo Pacto de Vars\u00f3via libertaram-se do passado sovi\u00e9tico e passaram a integrar a OTAN e a UE j\u00e1 na d\u00e9cada de 1990, concluindo este processo em 2004, no momento em que o imperialismo russo ressurgia. Infelizmente, a Ucr\u00e2nia e a Ge\u00f3rgia perderam este momento hist\u00f3rico. Ambos os pa\u00edses foram deixados de fora e ambos sofreram mais tarde ataques militares por parte da Federa\u00e7\u00e3o da R\u00fassia, \u00e0 custa de vidas e territ\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas, Vladimir Putin tentou restaurar o controle de Moscou sobre a regi\u00e3o, violando fronteiras internacionalmente reconhecidas. Mas o Kremlin n\u00e3o foi capaz de voltar no tempo. Ao tentar dobrar o arco da hist\u00f3ria \u00e0 sua vontade, Putin apenas fortaleceu as for\u00e7as que pretendia subjugar. Isso se tornou ainda mais evidente ap\u00f3s a invas\u00e3o na Ge\u00f3rgia por parte da R\u00fassia em 2008, e de forma ainda mais clara, ap\u00f3s o ataque da R\u00fassia \u00e0 Ucr\u00e2nia, em 2014.<\/p>\n\n\n\n<p>Na verdade, o Kremlin j\u00e1 havia exercido press\u00e3o sobre Kiev muito antes da invas\u00e3o militar propriamente dita. A intimida\u00e7\u00e3o constante \u00e0 Ucr\u00e2nia por parte de Vladimir Putin, aliada a decis\u00e3o imprudente do ent\u00e3o presidente ucraniano, Viktor Yanukovych, de alterar o rumo pr\u00f3-europeu dos governos anteriores, desencadeou protestos no final de 2013 que se transformaram na Revolu\u00e7\u00e3o da Dignidade da Ucr\u00e2nia. Ap\u00f3s Viktor Yanukovych ter ordenado \u00e0 pol\u00edcia que atirasse nos manifestantes, matando mais de 100 manifestantes, o povo ucraniano o destituiu. A R\u00fassia invadiu a Crimeia em poucos dias. Mas os ucranianos j\u00e1 haviam mudado de forma irrevers\u00edvel a trajet\u00f3ria do pa\u00eds, de modo a assegurar que nenhum governo ucraniano jamais trataria seus cidad\u00e3os da maneira como Moscou e Minsk governam os russos e bielorrussos, ou seja, com a m\u00e3o de ferro atual.<\/p>\n\n\n\n<p>Este ano, a Ucr\u00e2nia celebra o 30\u00ba anivers\u00e1rio da independ\u00eancia. Milh\u00f5es de jovens ucranianos n\u00e3o viveram um \u00fanico dia na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Muitos deles j\u00e1 est\u00e3o criando seus pr\u00f3prios filhos. A ideia de um \u201cpassado sovi\u00e9tico comum\u201d, j\u00e1 em desvanecimento entre as gera\u00e7\u00f5es anteriores, pouco significa para eles. Esses jovens viveram duas revolu\u00e7\u00f5es \u2013 a Revolu\u00e7\u00e3o Laranja, em 2004, e a Revolu\u00e7\u00e3o da Dignidade, em 2014; e agora vivem uma guerra em curso com a R\u00fassia. Para eles, a Ucr\u00e2nia nunca conquistou a independ\u00eancia; ela sempre foi independente.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Contra esferas de Influ\u00eancia<\/h4>\n\n\n\n<p>Na Ucr\u00e2nia e em outros lugares, o rompimento dos la\u00e7os com Moscou continuar\u00e1, independentemente do que Vladimir Putin ou sua comitiva tenham a dizer sobre o assunto. Portanto, os Estados Unidos e os parceiros ocidentais t\u00eam a oportunidade de desenvolver uma estrat\u00e9gia ambiciosa para a regi\u00e3o, que incluir\u00e1 uma pol\u00edtica espec\u00edfica, adaptada \u00e0s circunst\u00e2ncias de cada pa\u00eds e bloco.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso da Ucr\u00e2nia e da Ge\u00f3rgia, avan\u00e7ar com a ades\u00e3o \u00e0 OTAN deve ser a prioridade m\u00e1xima. Tal como a pr\u00f3pria OTAN afirmou em sua declara\u00e7\u00e3o final na Cimeira de Bucareste, em 2008 e reafirmou na Cimeira de Bruxelas deste ano, esse dia chegar\u00e1 inevitavelmente. Ambos os pa\u00edses j\u00e1 participam das atividades da OTAN como parceiros de oportunidades aprimoradas. Juntamente com a Bulg\u00e1ria, a Rom\u00e9nia e a Turquia, as contribui\u00e7\u00f5es da Ucr\u00e2nia e da Ge\u00f3rgia s\u00e3o fundamentais para a seguran\u00e7a da regi\u00e3o do Mar Negro. A R\u00fassia tem se tornado cada vez mais agressiva na regi\u00e3o: prejudicando o com\u00e9rcio e a liberdade de navega\u00e7\u00e3o, aumentando suas capacidades militares convencionais e nucleares na Crimeia ocupada e usando seu territ\u00f3rio como centro log\u00edstico para suas atividades militares no Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da coopera\u00e7\u00e3o em mat\u00e9ria de seguran\u00e7a, Ucr\u00e2nia e Ge\u00f3rgia tamb\u00e9m est\u00e3o empenhadas em aprofundar a integra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e pol\u00edtica com a Europa. Juntamente com o seu hom\u00f3logo da Mold\u00e1via, os chanceleres da Ucr\u00e2nia e da Ge\u00f3rgia fundaram este ano o \u201cTrio Associado\u201d em Kiev, com o objetivo expresso de aderir \u00e0 Uni\u00e3o Europeia. Para a Europa, o aprofundamento do envolvimento com o grupo \u00e9 uma oportunidade de fortalecer sua influ\u00eancia global, expandir o alcance de seus valores democr\u00e1ticos e refor\u00e7ar sua musculatura econ\u00f4mica. Para os Estados Unidos, este aprofundamento servir\u00e1 para os objetivos da administra\u00e7\u00e3o de Joseph Biden de manter a unidade transatl\u00e2ntica e fortalecer a fronteira oriental da Europa democr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>As capitais ocidentais tamb\u00e9m t\u00eam a oportunidade de aumentar sua influ\u00eancia nos pa\u00edses onde Moscou historicamente det\u00e9m influ\u00eancia. Os vizinhos da Ge\u00f3rgia no Sul do C\u00e1ucaso, Arm\u00eania e Azerbaij\u00e3o, merecem aten\u00e7\u00e3o especial. A abordagem correta no tocante \u00e0s rela\u00e7\u00f5es com eles pode, a longo prazo, contribuir em muito para aumentar a confian\u00e7a entre o Ocidente e a Turquia, um importante aliado da OTAN. A R\u00fassia recentemente buscou aumentar sua influ\u00eancia apresentando-se como um pacificador e mediador de conflitos na regi\u00e3o. Na Arm\u00eania, no entanto, o primeiro-ministro Nikola Pashinyan foi inesperadamente reeleito, considerado um l\u00edder inclinado ao equil\u00edbrio ao inv\u00e9s de ceder \u00e0s pot\u00eancias estrangeiras. Esse fator, aliado ao fortalecimento da alian\u00e7a entre Turquia e Azerbaij\u00e3o, abre para o Ocidente uma oportunidade de limitar a influ\u00eancia da R\u00fassia na regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A experi\u00eancia da Ucr\u00e2nia mostra que a R\u00fassia est\u00e1 gradualmente perdendo sua posi\u00e7\u00e3o de monop\u00f3lio na \u00c1sia Central. Desde 2014, Moscou tenta bloquear o acesso de Kiev \u00e0 regi\u00e3o, no entanto, encontramos maneiras de contornar os obst\u00e1culos. Nossos esfor\u00e7os consistentes que visam restaurar la\u00e7os comerciais tradicionalmente fortes, envolver a di\u00e1spora e criar oportunidades de estudo na Ucr\u00e2nia come\u00e7aram a dar frutos.<br>Mesmo na Belarus, \u00e9 pouco prov\u00e1vel que a press\u00e3o democr\u00e1tica diminua a longo prazo, deixando o Ocidente com espa\u00e7o para influ\u00eancia, apesar das tentativas de Alexander Lukashenko, apoiado pelo Kremlin, de consolidar seu governo.<\/p>\n\n\n\n<p>A R\u00fassia ainda \u00e9 uma forte pot\u00eancia regional. Mas, de Minsk, no oeste, at\u00e9 Ulaanbaatar, no leste, Moscou h\u00e1 muito perdeu seu monop\u00f3lio da influ\u00eancia pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>A proximidade geogr\u00e1fica com a R\u00fassia n\u00e3o deve limitar as estrat\u00e9gias de Washington ou Bruxelas para nenhum pa\u00eds da regi\u00e3o. Afinal, nenhuma preocupa\u00e7\u00e3o com as fronteiras comuns impediu o crescimento da China, que cultivou la\u00e7os profundos com v\u00e1rios pa\u00edses da regi\u00e3o que historicamente estiveram sob o controle de Moscou.<br>Ao mesmo tempo, os Estados Unidos e seus aliados europeus deveriam descartar a ideia de que, cooperando com o Kremlin, poderiam impedir a aproxima\u00e7\u00e3o entre R\u00fassia e China. Moscou est\u00e1 h\u00e1 muito tempo na \u00f3rbita de Pequim e, muito provavelmente, ela j\u00e1 esteja bem ciente dos riscos de uma maior reaproxima\u00e7\u00e3o com uma China muito mais poderosa.<\/p>\n\n\n\n<p>Ocidente Unido<\/p>\n\n\n\n<p>A ades\u00e3o da Ucr\u00e2nia \u00e0 OTAN e \u00e0 Uni\u00e3o Europeia n\u00e3o apenas fortalecer\u00e1 o progresso da Ucr\u00e2nia; ajudar\u00e1 a unir o Ocidente. Como um representante ativo na pol\u00edtica internacional na Europa Central e Oriental e na regi\u00e3o do Mar Negro, a Ucr\u00e2nia pode trazer benef\u00edcios significativos para a OTAN em quest\u00f5es de seguran\u00e7a regional. As For\u00e7as Armadas de nosso pa\u00eds t\u00eam uma experi\u00eancia inestim\u00e1vel de combate contra ao ex\u00e9rcito russo desde a invas\u00e3o russa em 2014. Nenhum dos atuais Estados membros da OTAN disp\u00f5em da experi\u00eancia e do conhecimento que a Ucr\u00e2nia pode oferecer. Em quest\u00f5es de ciberseguran\u00e7a e combate \u00e0 desinforma\u00e7\u00e3o, poucos pa\u00edses podem competir com a capacidade da Ucr\u00e2nia de reconhecer e combater as t\u00e1ticas da R\u00fassia.<\/p>\n\n\n\n<p>A Ucr\u00e2nia tamb\u00e9m tem papel vital para garantir a independ\u00eancia energ\u00e9tica da Europa. Planejamos continuar a desempenhar esse papel, apesar das tentativas da R\u00fassia de contornar o sistema de transporte de g\u00e1s ucraniano com projetos como o Nord Stream 2. A Ucr\u00e2nia oferece a vantagem de sua infraestrutura \u00fanica de transporte de g\u00e1s, que inclui o terceiro maior armazenamento subterr\u00e2neo de g\u00e1s do mundo e quase 23.000 quil\u00f4metros de gasodutos. Dado o enorme potencial da Ucr\u00e2nia na produ\u00e7\u00e3o de hidrog\u00eanio usando energia solar e e\u00f3lica, nosso pa\u00eds tem posi\u00e7\u00e3o de destaque para contribuir com a \u201ctransi\u00e7\u00e3o verde\u201d da Europa. Outros setores da economia ucraniana tamb\u00e9m s\u00e3o muito promissores, desde o ritmo impressionante nas tecnologias digitais, passando por um forte setor agr\u00edcola que promove o papel da Ucr\u00e2nia como mantenedor da seguran\u00e7a alimentar global.<\/p>\n\n\n\n<p>A Ucr\u00e2nia j\u00e1 fez progressos significativos em suas reformas, embora sejam necess\u00e1rias mais transforma\u00e7\u00f5es internas. Em primeiro lugar, no quesito da erradica\u00e7\u00e3o da corrup\u00e7\u00e3o. O governo j\u00e1 estabeleceu uma s\u00e9rie de medidas significativas, incluindo a hist\u00f3rica abertura do mercado de terras no m\u00eas passado, que ir\u00e1 aumentar a transpar\u00eancia e impulsionar a economia. Outras leis cruciais foram finalmente aprovadas neste ver\u00e3o para limpar o judici\u00e1rio, concedendo aos peritos internacionais um papel crucial na sele\u00e7\u00e3o de ju\u00edzes. Somos realistas quanto ao que h\u00e1 por fazer para combater a corrup\u00e7\u00e3o no judici\u00e1rio, no setor de defesa e seguran\u00e7a e em outras institui\u00e7\u00f5es. Mas h\u00e1 uma forte vontade pol\u00edtica de seguir em frente: isso se evidencia pelos \u00faltimos passos ousados que foram dados, apesar da enorme resist\u00eancia de interesses de for\u00e7as ligadas \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Sob a lideran\u00e7a do Presidente Volodymyr Zelensky, a Ucr\u00e2nia est\u00e1 totalmente empenhada em acelerar as transforma\u00e7\u00f5es internas, que v\u00e3o ao encontro das expectativas dos nossos parceiros europeus e transatl\u00e2nticos. Mas o principal \u00e9 que s\u00e3o as exig\u00eancias do povo ucraniano, que fez sua escolha e pagou um alto pre\u00e7o defendendo-a. Ao que parece, hoje as for\u00e7as da hist\u00f3ria tamb\u00e9m est\u00e3o ao lado dos ucranianos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, os esfor\u00e7os da Ucr\u00e2nia n\u00e3o ser\u00e3o bem sucedidos sem o forte apoio da UE, da OTAN e de seus Estados-membros. As medidas tomadas devem ser rec\u00edprocas, por todas as partes, e atuando para o objetivo da ades\u00e3o da Ucr\u00e2nia em ambas as organiza\u00e7\u00f5es. Os Estados Unidos e a Europa devem reconhecer que a Ucr\u00e2nia \u00e9 parte integrante do Ocidente. S\u00f3 ent\u00e3o teremos a prova de que nossos esfor\u00e7os atuais n\u00e3o s\u00e3o em v\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>* Dmytro Kuleba&nbsp; \u00e9 Ministro de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores da Ucr\u00e2nia. Este artigo foi publicado originalmente na revista Foreign Affairs<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este ano, a Ucr\u00e2nia celebra o 30\u00ba anivers\u00e1rio da independ\u00eancia Por Dmytro Kuleba* Desde a dissolu\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, em dezembro de 1991, a regi\u00e3o da Europa Central \u00e0 \u00c1sia<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":8287,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/7ports.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8286"}],"collection":[{"href":"https:\/\/7ports.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/7ports.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/7ports.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/7ports.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=8286"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/7ports.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8286\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8288,"href":"https:\/\/7ports.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8286\/revisions\/8288"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/7ports.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/8287"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/7ports.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=8286"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/7ports.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=8286"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/7ports.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=8286"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}