
{"id":9164,"date":"2025-02-06T06:16:35","date_gmt":"2025-02-06T09:16:35","guid":{"rendered":"https:\/\/7ports.com.br\/?p=9164"},"modified":"2025-07-27T13:27:26","modified_gmt":"2025-07-27T16:27:26","slug":"commoditificacao-de-dados-concentracao-economica-e-controle-politico-como-elementos-da-autofagia-do-capitalismo-de-plataforma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/7ports.com.br\/?p=9164","title":{"rendered":"Commoditifica\u00e7\u00e3o de dados, concentra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e controle pol\u00edtico como elementos da autofagia do capitalismo de plataforma"},"content":{"rendered":"\n<p><a href=\"https:\/\/www.comciencia.br\/commoditificacao-de-dados-concentracao-economica-e-controle-politico-como-elementos-da-autofagia-do-capitalismo-de-plataforma\/\"><time datetime=\"2020-09-16T10:30:23-03:00\">16 de setembro de 2020<\/time><\/a>&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.comciencia.br\/author\/comciencia\/\">comciencia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.comciencia.br\/#facebook\" rel=\"noreferrer noopener\" target=\"_blank\">Facebook<\/a><a href=\"https:\/\/www.comciencia.br\/#twitter\" rel=\"noreferrer noopener\" target=\"_blank\">Twitter<\/a><a href=\"https:\/\/www.comciencia.br\/#whatsapp\" rel=\"noreferrer noopener\" target=\"_blank\">WhatsApp<\/a><a href=\"https:\/\/www.comciencia.br\/#print\" rel=\"noreferrer noopener\" target=\"_blank\">Print<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por Roberto Moraes<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Depois de duas d\u00e9cadas de utopia digital [1] e de uma cren\u00e7a difusa na ideia do progresso advinda da tecnologia, a sua utiliza\u00e7\u00e3o como ci\u00eancia aplicada do conhecimento se imp\u00f5e sobre a vida social e sobre todos os outros setores da economia. Sem exagero hoje \u00e9 poss\u00edvel afirmar que a tecnologia exerce uma imposi\u00e7\u00e3o dominante sobre a sociedade no mundo contempor\u00e2neo. No intervalo destas duas d\u00e9cadas saltamos da utopia digital para outra ideia difusa e, aparentemente solid\u00e1ria, da economia do compartilhamento, logo absorvida pelo mercado que passou a divulgar outra ideia, a de que ter\u00edamos passado a viver uma fase de inova\u00e7\u00e3o disruptiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre saltos e capturas do mercado, o fen\u00f4meno da digitaliza\u00e7\u00e3o da vida social e o incremento do uso das tecnologias como parte da economia real est\u00e1 se ampliando de forma cada vez mais veloz. A internet m\u00f3vel embarcada nos smarphones, tablets e notebooks j\u00e1 produziam mudan\u00e7as que s\u00f3 paulatinamente foram sendo melhor percebidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ouvia\u2013se mais falar das redes do que propriamente compreend\u00ea\u2013las. Redes que misturam o universo dos dados do mundo digital (coleta extrativista) com a esfera da vida social real, em meio \u00e0s v\u00e1rias estruturas que se cruzam, desde a infra \u00e0 superestrutura, no andar superior das altas finan\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste percurso os dados se transformam em \u201cbem\u201d, \u201crecurso econ\u00f4mico\u201d e, portanto, em \u201cpropriedade\u201d. Um novo tipo de propriedade, assim como terra e capital como fra\u00e7\u00f5es que dependem do trabalho para produzir a riqueza que comp\u00f5e a tr\u00edade marxiana [2]. Dados como a nova e mais valiosa commodity da contemporaneidade que parece refletir a tend\u00eancia de commodificar tudo aquilo que ainda n\u00e3o \u00e9 commodity.<\/p>\n\n\n\n<p>Seguindo a trajet\u00f3ria da digitaliza\u00e7\u00e3o, o \u201ce\u2013commerce\u201d deixou de ser apenas \u201ccompras na internet\u201d para se transformar numa captura enorme de dados sobre os donos das demandas. O \u201cdelivery\u201d, assim com o uso da l\u00edngua estrangeira \u2013 que explica a classe social do lugar de quem utiliza \u2013, rapidamente, se tornou uma etapa hiperprecarizada de circula\u00e7\u00e3o da mercadoria ou dos servi\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa toada, s\u00f3 mais recentemente, passamos a ter melhor no\u00e7\u00e3o sobre os efeitos dos usos dos nossos dados pela tecnopol\u00edtica que, na ess\u00eancia, nega a pol\u00edtica para manipular a democracia e promover governos ca\u00f3ticos. O uso pol\u00edtico dos dados via redes sociais tem levado \u00e0 busca de engajamentos e mais seguidores e n\u00e3o a solu\u00e7\u00f5es para os problemas das pessoas mundo afora.<\/p>\n\n\n\n<p>A pandemia da Covi-19 nos auxilia a enxergar como esse processo de plataformiza\u00e7\u00e3o, acelerou o tempo dessas transforma\u00e7\u00f5es no mundo atual. O que antes estava previsto para ocorrer em um d\u00e9cada, hoje estima-se que aconte\u00e7a em torno de um ano. E o que antes era previsto para dois a tr\u00eas ou cinco anos, j\u00e1 est\u00e1 acontecendo. O historiador brit\u00e2nico Edward Thompson tratou do tempo e da no\u00e7\u00e3o de sua acelera\u00e7\u00e3o, ao descrever o controle externo exercido sobre o homem com vistas a organizar e protagonizar um novo modo de produ\u00e7\u00e3o, quando este passou a perceber a vida de forma cada vez mais r\u00e1pida, orientada, na ocasi\u00e3o, pelo sistema industrial e com efeitos tamb\u00e9m sobre o modo de vida no auge do fordismo [3]. Mais pr\u00f3ximo dos dias atuais, o ge\u00f3grafo David Harvey voltou ao tema da acelera\u00e7\u00e3o do tempo e da compress\u00e3o do espa\u00e7o e da rela\u00e7\u00e3o dial\u00f3gica entre tecnologia e sociedade [4]. Assim, esses dois pensadores podem nos ajudar a compreender aquilo que foi tratado neste texto, tanto sobre a din\u00e2mica temporal do capitalismo de plataformas, quanto do surgimento de um espa\u00e7o de dados fragmentado e intemporal do hipercapitalismo contempor\u00e2neo.<\/p>\n\n\n\n<p>No tempo presente, a emerg\u00eancia sanit\u00e1ria e o isolamento social necess\u00e1rio para impedir uma maior mortalidade produzida pela infesta\u00e7\u00e3o do novo coronav\u00edrus levaram a que em apenas um semestre as empresas gigantes de tecnologia \u2013 Big Techs [1] \u2013 quase dobrassem seus valores de mercado, al\u00e9m de colossais aumentos de receitas e lucros que as tornaram ainda maiores.<\/p>\n\n\n\n<p>Os fatos mostram e refor\u00e7am a leitura de que a tecnologia digital se expandiu com uma configura\u00e7\u00e3o quase explosiva. Com o uso enormemente ampliado de novas tecnologias foi se instituindo uma delirante digitaliza\u00e7\u00e3o da vida social, exatamente no mesmo per\u00edodo em que se assiste o avan\u00e7o simult\u00e2neo de tr\u00eas crises que nos alcan\u00e7am: colossal e crescente desigualdade; hegemonia do setor financeiro sobre a produ\u00e7\u00e3o real e a eclos\u00e3o da pandemia da Covid-19, que se junta a outras quest\u00f5es sanit\u00e1rias e ambientais em todo o planeta [5].<\/p>\n\n\n\n<p>O discurso da democratiza\u00e7\u00e3o de acessos e de um debate mais amplo, numa esp\u00e9cie de \u201c\u00e1gora digital\u201d presente no desejo ut\u00f3pico, foi sendo varrido e engolido pelo mundo real. As not\u00edcias, as estat\u00edsticas e os indicadores v\u00e3o demonstrando como a tecnologia (e as plataformas digitais) v\u00e3o se impondo \u00e0 sociedade, como em nenhum outro momento anterior do capitalismo, com for\u00e7a oligop\u00f3lica e tend\u00eancia monopolista, numa esp\u00e9cie de \u201ccapitalismo autof\u00e1gico\u201d [6].<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Oligopoliza\u00e7\u00e3o das Big Techs: gigantismo das empresas de tecnologia<br><\/strong>Os dados divulgados na s\u00e9rie especial Top 100 do famoso jornal ingl\u00eas&nbsp;<em>Financial Times<\/em>&nbsp;(FT) [7] sobre as corpora\u00e7\u00f5es que mais ganharam com a pandemia da Covid-19, mostram esse processo avassalador que foi acelerado pelo tempo da pandemia. Uma janela de oportunidades que o capital se aproveita para impor transforma\u00e7\u00f5es as quais, contraditoriamente, tamb\u00e9m surgem como desejos difusos da sociedade por se comunicar, consumir e sobreviver no capitalismo que passa a se apresentar com apar\u00eancias autof\u00e1gicas.<\/p>\n\n\n\n<p>O gigantismo das corpora\u00e7\u00f5es de tecnologia fica mais que evidente. Quase metade (49) da lista Top 100 \u00e9 de empresas vinculadas diretamente \u00e0 tecnologia (37), 9 de e-commerce, mais 3 de varejo. Um total de 23 s\u00e3o empresas do setor de sa\u00fade: 15 farmac\u00eauticas e 8 de servi\u00e7os de sa\u00fade, compreens\u00edvel num quadro de pandemia. Juntas, somam 72% das corpora\u00e7\u00f5es que ganharam e muito com os riscos da contamina\u00e7\u00e3o. O volume total ganho pelas Top 100 (FT), em apenas um semestre, chega a US$ 3,1 trilh\u00f5es em valor de mercado (capital fict\u00edcio do setor financeiro), o que mostra a simbiose com o andar das altas finan\u00e7as, que segue o seu movimento sempre atr\u00e1s de maiores rentabilidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Abaixo a imagem de uma tabela com identifica\u00e7\u00e3o das dez empresas l\u00edderes do Top 100 durante a Pandemia (FT, jun. 2020), com identifica\u00e7\u00e3o do setor, localiza\u00e7\u00e3o da sede, valor de mercado agregado durante per\u00edodo da pandemia (1\u00ba semestre at\u00e9 junho 2020) e uma s\u00edntese da \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o e justificativa para resultados.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Figura 1: Imagem da tabela Top 10\/100 de empresas na Pandemia do&nbsp;<em>FT<\/em>&nbsp;em jun. 2020<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.comciencia.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Figura-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6602\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n<p>As quatro primeiras companhias (Amazon, Microsoft, Apple e Tesla) juntas cresceram quase R$ 1 trilh\u00e3o em valor de mercado. As dez corpora\u00e7\u00f5es que mais ganharam num semestre cresceram mais do que a soma das outras 90 companhias da lista Top 100 do FT e assim aumentaram seus valores somados em US$ 1,5 trilh\u00e3o, mais que todo um PIB do Brasil, ainda a oitava maior economia do mundo. Uma oligopoliza\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria. No in\u00edcio de agosto, Wall Street informou que s\u00f3 a Apple tinha crescido mais de US$ 500 bilh\u00f5es e alcan\u00e7ado o valor recorde de US$ 2 trilh\u00f5es [8].<\/p>\n\n\n\n<p>As Plataformas Digitais (PDs) levam as corpora\u00e7\u00f5es da \u00e1rea de tecnologia (Big Techs), em especial americanas e chinesas, a um n\u00edvel de concentra\u00e7\u00e3o jamais visto nos neg\u00f3cios industriais tradicionais, mesmo que operando em mercados altamente concentrados, como no caso do setor de petr\u00f3leo (seis grandes players), automotivo (quatorze players, excluindo a China) e da siderurgia [9].<\/p>\n\n\n\n<p>As tecnologias emergentes reunidas nas Plataformas Digitais (PDs) t\u00eam aumentado, progressivamente, o seu peso na economia das na\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o no n\u00famero de pessoas envolvidas. Em 2016, nos EUA, o setor de tecnologia possu\u00eda apenas 6,8% do valor agregado das empresas e 2,5% da for\u00e7a laboral. Mesmo no relativamente desindustrializado EUA, o setor de tecnologia emprega quatro vezes menos que a ind\u00fastria. No Reino Unido, quase tr\u00eas vezes menos empregados que na produ\u00e7\u00e3o industrial. Em suma as tecnologias emergentes t\u00eam uma enorme e veloz tend\u00eancia de produzir de forma simult\u00e2nea explos\u00e3o, exclus\u00e3o e aumento da competitividade no sistema [10].<\/p>\n\n\n\n<p>Os oligop\u00f3lios tamb\u00e9m est\u00e3o concentrados em termos espaciais. Metade (49) da lista total das Top 100 (FT) est\u00e3o localizadas nos EUA e outras 24 na China e outras 27 espalhadas pela Europa e \u00c1sia. Dentro desse sistema hegemonicamente financeiro e tecnol\u00f3gico (dois setores com bens e fluxos intang\u00edveis que se encontram), a Am\u00e9rica Latina se torna ainda mais periferia, vendo a sua depend\u00eancia se ampliar em termos de infraestruturas tecnol\u00f3gicas, como consumidora de pacotes que controlam seu imenso e desejado mercado. O que mostra os impactos do gigantismo do setor de tecnologia e seus espa\u00e7os no territ\u00f3rio, para al\u00e9m da centraliza\u00e7\u00e3o setorial que o uso expandido das Plataformas Digitais deixa evidente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Capitalismo de plataformas, extrativismo e commoditifica\u00e7\u00e3o de dados e Condi\u00e7\u00f5es Gerais de Produ\u00e7\u00e3o<br><\/strong>Em 2017, o canadense Nick Srnicek, radicado em Londres, cunhou a express\u00e3o \u201ccapitalismo de plataformas\u201d [10]. Outros autores preferem o termo \u201cEconomia de Plataforma \u201c, como Martin Kenney e John Zysmam [9], e se referem aos movimento das plataformas digitais como uma nova forma organizacional e de realiza\u00e7\u00e3o de neg\u00f3cios. As PDs se utilizam de grandes quantidades de dados capturados, agregados e armazenados que ampliam a sua capacidade de operar intermedia\u00e7\u00f5es nos dois lados do mercado (<em>two\u2013sides<\/em>): da produ\u00e7\u00e3o ao consumo, sendo parte da etapa de circula\u00e7\u00e3o. As PDs realizam atrav\u00e9s do sistema informacional, de forma inovadora e muito eficiente, a circula\u00e7\u00e3o que \u00e9 a l\u00f3gica do processo de plataformiza\u00e7\u00e3o e do que vem a ser chamado de capitalismo de plataformas.<\/p>\n\n\n\n<p>Seria interessante fazer um retrospecto para mostrar a genealogia do capitalismo de plataformas, mas n\u00e3o neste texto. Assim, parece mais oportuno falar um pouco mais sobre a ferramenta das Plataformas Digitais (PDs). Elas se baseiam num modelo econ\u00f4mico voltado para a captura de dados pessoais e para a extra\u00e7\u00e3o de valor a partir desses dados e por isso s\u00e3o as principais usu\u00e1rios da intelig\u00eancia artificial (IA). As PDs atuam como infraestruturas intermedi\u00e1rias entre diferentes grupos usu\u00e1rios (consumidores), anunciantes, motoristas etc. [10]. As PDs representam uma nova forma de intermedia\u00e7\u00e3o entre o andar das finan\u00e7as e a produ\u00e7\u00e3o social no territ\u00f3rio, ampliando os ganhos da etapa de circula\u00e7\u00e3o (da qual faz parte) dentro da tr\u00edade marxiana: produ\u00e7\u00e3o, circula\u00e7\u00e3o, consumo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Figura 2: A l\u00f3gica da plataformiza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.comciencia.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Figura-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6603\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n<p>As PDs fazem a intermedia\u00e7\u00e3o usando o mecanismo de captura e tamb\u00e9m de envio, bidirecional, extraindo valor tanto na ida quanto na volta, na l\u00f3gica do serrote que corta dos dois lados. Al\u00e9m da conectividade e intermedia\u00e7\u00e3o, as PDs permitem o rastreamento da informa\u00e7\u00e3o que junto da captura de dados permite a extra\u00e7\u00e3o de renda tamb\u00e9m na etapa de circula\u00e7\u00e3o entre a produ\u00e7\u00e3o e o consumo [11].<\/p>\n\n\n\n<p>A vigil\u00e2ncia \u00e9 parte do capitalismo de plataformas que se situa num est\u00e1gio acima. Por isso evito o termo de Zuboff \u201ccapitalismo de vigil\u00e2ncia\u201d [12]. O extrativismo dos dados se d\u00e1 em todos os espa\u00e7os, setores e tempos. A captura \u00e9 tanto de trabalho produtivo quanto de trabalho n\u00e3o produtivo, como acontece no lazer, descanso, no tempo dedicado \u00e0s redes sociais e ainda no consumo dos&nbsp;<em>streamings<\/em>, dois temas (cases) que ser\u00e3o aprofundados adiante.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, n\u00e3o se pode compreender a l\u00f3gica da plataformiza\u00e7\u00e3o sem observar a articula\u00e7\u00e3o entre o circuito do valor, a financeiriza\u00e7\u00e3o (fundos de investimentos e o circuito financeiro global), a inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, o uso ampliado das PDs e a \u201cstartupiza\u00e7\u00e3o\u201d dos dias atuais, em que a tecnologia se torna tamb\u00e9m propriedade (marcas, patentes e copyright), como lembra o professor Ladislaw Dowbor [5]. A tecnologia junto do capital, com propriedade e fra\u00e7\u00f5es de classe, ampliam a captura de renda do trabalho na base da pir\u00e2mide do capital.<\/p>\n\n\n\n<p>As PDs atuam com efici\u00eancia extraordin\u00e1ria para capturar os excedentes econ\u00f4micos regionais\/nacionais em diferentes setores econ\u00f4micos (vistos tamb\u00e9m como fra\u00e7\u00f5es do capital [13], para lev\u00e1-los, no seu movimento de valoriza\u00e7\u00e3o, em dire\u00e7\u00e3o ao andar das altas finan\u00e7as a partir da amplia\u00e7\u00e3o dos rendimentos (mercado de capitais e fundos) onde realizam maiores lucros e acumula\u00e7\u00e3o em processo que mistura a valoriza\u00e7\u00e3o (produ\u00e7\u00e3o real) com a capitaliza\u00e7\u00e3o (capital fict\u00edcio da financeiriza\u00e7\u00e3o) naquilo que denominei como capital helicoidal [13].<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Figura 3: A l\u00f3gica da Plataformiza\u00e7\u00e3o na extra\u00e7\u00e3o de valor<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.comciencia.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Figura-3.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6604\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n<p>O capitalismo de plataformas depende da colossal captura di\u00e1ria de dados, hoje na casa de quintilh\u00f5es. Dados que se transformaram em mercadoria \u00fanica (em grandes volumes, sendo portanto, uma commodity). Dados capturados, armazenados e movimentados demandam uma infraestruturas (plataformas) e outras condi\u00e7\u00f5es que viabilizam o mundo digital e sua import\u00e2ncia no capitalismo contempor\u00e2neo.<\/p>\n\n\n\n<p>Para observar essas condi\u00e7\u00f5es, fundamentais para a produ\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o capitalista que est\u00e3o presentes no processo de plataformiza\u00e7\u00e3o, vale chamar a aten\u00e7\u00e3o para o conceito de condi\u00e7\u00f5es gerais de produ\u00e7\u00e3o. \u201cElas constituem requisitos ou premissas necess\u00e1rias \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o do capital e s\u00e3o simultaneamente&nbsp;<em>pressupostos<\/em>&nbsp;da din\u00e2mica capitalista ou do movimento do capital \u2014 a rigor, do valor em movimento \u2014 e, tamb\u00e9m,&nbsp;<em>resultados&nbsp;<\/em>desse movimento\u201d [14]. Assim, pode-se afirmar que as PDs atuam tamb\u00e9m como capital fixo socializado e de consumo coletivo numa condi\u00e7\u00e3o al\u00e9m de infraestrutura. A l\u00f3gica da plataformiza\u00e7\u00e3o atua exatamente na redu\u00e7\u00e3o da desvaloriza\u00e7\u00e3o ao aproximar as dist\u00e2ncias e encurtar o tempo no processo de intermedia\u00e7\u00e3o entre a demanda e a produ\u00e7\u00e3o, fazendo ainda jun\u00e7\u00e3o dos fluxos digitais com os materiais em nova etapa do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista.&nbsp; As PDs n\u00e3o acrescentam valor em movimento mas evitam a desvaloriza\u00e7\u00e3o na etapa de circula\u00e7\u00e3o da qual faz parte, quando efetiva a apropria\u00e7\u00e3o pela fun\u00e7\u00e3o que realiza [14].&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A plataformiza\u00e7\u00e3o representa as condi\u00e7\u00f5es para articula\u00e7\u00e3o e para o controle sobre as v\u00e1rias fra\u00e7\u00f5es do capital e sobre a vida social no territ\u00f3rio. A PDs realizam com maior efici\u00eancia a intermedia\u00e7\u00e3o que na pr\u00e1tica representa uma enorme captura de renda, sem produzir nenhuma riqueza nova, mas se apropriando, em boa parte, daquilo que \u00e9 produzido socialmente e utilizado tamb\u00e9m no territ\u00f3rio. Nesse sentido, n\u00e3o h\u00e1 que se falar em aparta\u00e7\u00e3o entre mundo digital e real porque os dados, as redes e os sistemas se imbricam entre fluxos imateriais e materiais. Entre bases infraestruturais das redes, nuvens e plataformas que s\u00e3o territ\u00f3rios informacionais e servem ao processo de intermedia\u00e7\u00e3o das PDs.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Plataformas-raiz s\u00e3o as bases das Big Techs<br><\/strong>As Big-Techs expostas acima s\u00e3o na pr\u00e1tica o que passei a chamar de plataformas-raiz. Para ir adiante \u00e9 adequado voltar \u00e0 l\u00f3gica do processo de intermedia\u00e7\u00e3o nomeado como processo de plataformiza\u00e7\u00e3o. Essa sequ\u00eancia de nomea\u00e7\u00f5es visa tentar destrinchar o fen\u00f4meno, seus processos e instrumentos. O processo de plataformiza\u00e7\u00e3o trata do uso das infraestruturas que favorecem a l\u00f3gica da economia do ped\u00e1gio e que torna real a hiperconcentra\u00e7\u00e3o das Big Techs (grandes e concentradas corpora\u00e7\u00f5es de tecnologias). As demais empresas (plataformas e\/ou aplicativos) ficam dependentes de alugar o acesso para uso dessa infraestrutura digital-m\u00e3e. Assim, essas plataformas b\u00e1sicas adquirem a condi\u00e7\u00e3o de ganhar sobre tudo aquilo que transita entre a produ\u00e7\u00e3o e o consumo, a demanda, \u201cnatural\u201d ou induzida.<\/p>\n\n\n\n<p>A \u201cplataforma-raiz\u201d podem ser vistas como uma esp\u00e9cie de espinha dorsal (<em>back-bone<\/em>) do processo de plataformiza\u00e7\u00e3o. Elas sustentam a l\u00f3gica de extra\u00e7\u00e3o de valor das extremidades da tr\u00edade: produ\u00e7\u00e3o \u2013 circula\u00e7\u00e3o \u2013 consumo. A extra\u00e7\u00e3o de valor se d\u00e1 basicamente sobre a produ\u00e7\u00e3o e sobre o consumo, sendo a plataforma de intermedia\u00e7\u00e3o parte da circula\u00e7\u00e3o (intermedia\u00e7\u00e3o) que une os fluxos digitais (informacionais) e, em boa parte, tamb\u00e9m os fluxos materiais, decorrentes dos resultados dessa intera\u00e7\u00e3o digital que viabiliza as vendas de produtos e\/ou servi\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p>As empresas-plataformas fazem a intermedia\u00e7\u00e3o dos fluxos digitais relativos \u00e0 propaganda, venda, pagamento e ainda os fluxos materiais, a log\u00edstica do transporte, armazenamento, distribui\u00e7\u00e3o e entrega do produto. A extra\u00e7\u00e3o de valor se d\u00e1 sobre a produ\u00e7\u00e3o e sobre a distribui\u00e7\u00e3o para o consumo. Os fluxos digitais e\/ou materiais dependem de infraestruturas. &nbsp;As infraestruturas de tecnologias s\u00e3o digitais e de fluxos imateriais, mas tamb\u00e9m f\u00edsicas com cabos, centrais, energia para nuvem e equipamentos etc. [15].<\/p>\n\n\n\n<p>As plataformas-raiz concentram essas propriedades de intermedia\u00e7\u00e3o digital e f\u00edsica que v\u00e3o permitir uma enorme concentra\u00e7\u00e3o de ganhos com a captura de renda de tudo que passa atrav\u00e9s de suas tecnologias de redes, software, nuvens e tamb\u00e9m aplicativos (lojas Apple Store, Play Store da Google e Huawei Store) que s\u00e3o partes de espinha-dorsal (grande avenida), onde uma fra\u00e7\u00e3o expressiva da valoriza\u00e7\u00e3o \u00e9 retida a t\u00edtulo de uma esp\u00e9cie de ped\u00e1gio. Al\u00e9m dos ganhos colossais dessas plataformas-raiz, que se tornaram gigantes econ\u00f4micos, geram relativamente pouco empregos e concentram um enorme poder em suas m\u00e3os, o que permite estimar que o avan\u00e7o acelerado da Intelig\u00eancia Artificial (IA) tender\u00e1 a refor\u00e7ar, ainda mais, o poder das PDs em n\u00edvel global [10].<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Figura 4: Plataformas-raiz<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.comciencia.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Figura-4.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6605\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n<p>As plataformas-raiz explicam o gigantismo crescente das corpora\u00e7\u00f5es de tecnologia, a concentra\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m o seu controle sobre o processo de plataformiza\u00e7\u00e3o. As plataformas-raiz tamb\u00e9m ajudam a explicar uma nova fase do regime de acumula\u00e7\u00e3o que elas propiciam. Elas articulam as demandas (que ficam mais conhecidas pela captura dos dados pessoais) com a propaganda direcionada. A produ\u00e7\u00e3o e venda para o p\u00fablico identificado pelo conhecimento gerados pelos fluxos de dados, ao pagamento e recebimento pela venda com articula\u00e7\u00e3o \u00e0s redes financeiras (banc\u00e1rias e n\u00e3o banc\u00e1rias ou&nbsp;<em>shadow banking<\/em>) e ainda \u00e0 log\u00edstica de entrega dos produtos.<\/p>\n\n\n\n<p>As plataformas-raiz ilustram tamb\u00e9m o porte das Big Techs e demonstram o seu papel na realiza\u00e7\u00e3o da concentra\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s do uso dessa extraordin\u00e1ria organiza\u00e7\u00e3o da economia do ped\u00e1gio tecnol\u00f3gico que viabilizam. Em especial deve-se destacar as cinco Big Techs expostas na imagem acima, como plataformas-raiz, nesse processo de vampiriza\u00e7\u00e3o da extra\u00e7\u00e3o de renda gerada na produ\u00e7\u00e3o e na comercializa\u00e7\u00e3o de produtos e servi\u00e7os. S\u00e3o elas: Apple, Google, Facebook, Microsoft e Amazon. Atuam de forma complementar (e concorrencial em alguns casos) na l\u00f3gica da extra\u00e7\u00e3o de valor com a seguinte tipologia de plataformas: a) Publicidade e propaganda; b) Nuvem e organiza\u00e7\u00e3o de dados; c) Aprendizado (auto) com os algoritmos e a Intelig\u00eancia Artificial; d) Transforma\u00e7\u00e3o das demandas identificadas pelas an\u00e1lises de dados em aplicativos (produtos) com a Appfica\u00e7\u00e3o [10].<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Figura 5: Tipologia das plataformas digitais<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.comciencia.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Figura-5.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6606\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n<p>A compreens\u00e3o da exist\u00eancia das plataformas-raiz \u00e9 fundamental para se compreender, de forma mais totalizante, o fen\u00f4meno que est\u00e1 em curso que desloca o capitalismo e a forma de organizar o Modo de Produ\u00e7\u00e3o Capitalista (MPC) e o regime de acumula\u00e7\u00e3o contempor\u00e2neo a partir da amplia\u00e7\u00e3o da digitaliza\u00e7\u00e3o da vida social e da utiliza\u00e7\u00e3o da tecnologia como um dos principais fatores de produ\u00e7\u00e3o na atualidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Trilogia de conceitos e as seis dimens\u00f5es do Plataformismo<br><\/strong>Nesse sentido \u00e9 ainda oportuno resumir essa trilogia de conceitos (num gloss\u00e1rio) para que se tenha uma maior clareza de an\u00e1lises sobre o que envolve a amplia\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia da tecnologia digital no mundo contempor\u00e2neo: a) Plataformas Digitais (PDs) \u2013 \u00e9 o instrumento, a ferramenta deste processo; b) Plataformiza\u00e7\u00e3o \u2013 \u00e9 o processo de intermedia\u00e7\u00e3o executado pelas Plataformas Digitais; c) Plataformismo ou Capitalismo de Plataformas \u2013 \u00e9 o regime de acumula\u00e7\u00e3o capitalista que avan\u00e7a na dire\u00e7\u00e3o monop\u00f3lica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Figura 6: Gloss\u00e1rio<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.comciencia.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Figura-6.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6608\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n<p>O fen\u00f4meno pode ser visto como uma nova etapa do regime de acumula\u00e7\u00e3o que se utiliza ainda da rigidez fordista, se apropria da flexibilidade toyotista, mas agora ganha impulso com o Plataformismo, sem deixar de se apropriar dos MPCs anteriores. Neste percurso de an\u00e1lise n\u00e3o \u00e9 um exagero afirmar que o conhecimento, a internet e a tecnologia est\u00e3o se tornando os principais fatores de produ\u00e7\u00e3o, produzindo transforma\u00e7\u00f5es tanto no modo de produ\u00e7\u00e3o quanto no regime de acumula\u00e7\u00e3o capitalista em que se identifica uma hiperconcentra\u00e7\u00e3o, com a forma\u00e7\u00e3o de ainda maiores oligop\u00f3lios que refor\u00e7am o movimento de tend\u00eancia monopolista.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Figura 7: Plataformismo \u2013 Transforma\u00e7\u00f5es no Modo de Produ\u00e7\u00e3o Capitalista<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.comciencia.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Figura-7.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6607\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n<p>O Plataformismo tamb\u00e9m faz a intermedia\u00e7\u00e3o e o uso simult\u00e2neo de uma esp\u00e9cie de fordismo digital (Amazon e Alibaba com maior controle e supervis\u00e3o sobre a produ\u00e7\u00e3o e geolocaliza\u00e7\u00e3o da distribui\u00e7\u00e3o), da flexibilidade informacional da acumula\u00e7\u00e3o flex\u00edvel que se viabiliza a partir do toyotismo e se encontra ampliado e radicalizado no Plataformismo que re\u00fane tudo isso sobre a l\u00f3gica do sistema informacional [16].<\/p>\n\n\n\n<p>Vale registrar que esse processo foi estimado (visualizado) pelo soci\u00f3logo espanhol Manuel Castells sob uma an\u00e1lise prospectiva \u2013 e um tanto ut\u00f3pica \u2013 no livro&nbsp;<em>Sociedade em redes<\/em>&nbsp;[17], e logo a seguir por outros pensadores, h\u00e1 mais de duas d\u00e9cadas (1996). A ascens\u00e3o da sociedade em redes foi o primeiro livro da trilogia&nbsp;<em>A era da informa\u00e7\u00e3o: Economia, sociedade e cultura<\/em>. Os dois outros livros foram&nbsp;<em>O poder da identidade<\/em>&nbsp;(1997) e&nbsp;<em>Fim do mil\u00eanio<\/em>&nbsp;(1998). A trilogia merece ser revisitada especialmente agora, em que o fen\u00f4meno do sistema informacional deixa de ser pensado como cen\u00e1rio e hip\u00f3teses mas como realidade. Assim, \u00e9 poss\u00edvel comparar, compreender e melhor analisar atrav\u00e9s dos fatos que est\u00e3o se desenrolando e dos agentes em movimento o fen\u00f4meno que se tenta decifrar. Esse exerc\u00edcio poder\u00e1 nos trazer mais clareza sobre os processos sobre como chegamos ao presente.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda de forma breve e de passagem, \u00e9 poss\u00edvel dizer que o plataformismo \u00e9 um fen\u00f4meno transescalar, ou seja, um fen\u00f4meno que se desenrola simultaneamente em espa\u00e7os globais e locais\/nacionais (por isso transescalar e n\u00e3o multiescalar) e tamb\u00e9m multidimensional, embora, tamb\u00e9m de forma embaralhada e cruzada. Essas investiga\u00e7\u00f5es transescalares e multidimensionais podem ajudar na compreens\u00e3o sobre os impactos que o plataformismo produz com altera\u00e7\u00f5es significativas na organiza\u00e7\u00e3o espacial dos neg\u00f3cios, da concorr\u00eancia e do mercado de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 nesse contexto que a identifica\u00e7\u00e3o das dimens\u00f5es do plataformismo se tornam importantes para que as an\u00e1lises possam ser mais amplas e profundas ao mesmo tempo. A explicita\u00e7\u00e3o dessas dimens\u00f5es permite um maior aprofundamento de cada uma delas, mesmo sabendo que se entrecruzam quase todo o tempo, com varia\u00e7\u00f5es de peso hier\u00e1rquico conforme o per\u00edodo temporal e o contexto sociopol\u00edtico. Por exemplo, no momento da pandemia, a face mais vis\u00edvel do capitalismo de plataformas tem se dado na dimens\u00e3o do trabalho e sua precariza\u00e7\u00e3o, embora essa dimens\u00e3o seja diretamente vinculada e decorrente da dimens\u00e3o econ\u00f4mica e de outras. Nas refer\u00eancias eu listo alguns textos que abordam essa dimens\u00e3o da precariza\u00e7\u00e3o do trabalho que \u00e9 face mais vis\u00edvel da espolia\u00e7\u00e3o do capitalismo de plataformas envolvendo os entregadores de aplicativos que, na luta pela sobreviv\u00eancia, imploram para serem explorados pela Appfica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse esfor\u00e7o de interpreta\u00e7\u00e3o ainda inicial, \u00e9 poss\u00edvel identificar seis dimens\u00f5es que s\u00e3o mais evidentes para serem observadas e analisadas: a) Econ\u00f4mica; Desenvolvimento, I.T., Startupiza\u00e7\u00e3o e fetiche pela tecnologia; c) Trabalho e sua precariza\u00e7\u00e3o; d) Cultural, Societal e social-comunit\u00e1ria; e) Espacial, Geoecon\u00f4mica e Geopol\u00edtica; f) Pol\u00edtica. Abaixo uma imagem que inclui as caracter\u00edsticas principais observadas em cada uma destas seis dimens\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Figura 8: O fen\u00f4meno do Plataformismo visto em seis dimens\u00f5es<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.comciencia.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Figura-8.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6610\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n<p>\u00c9 certo que h\u00e1 outras dimens\u00f5es de an\u00e1lise para esse fen\u00f4meno do capitalismo de plataformas, por\u00e9m buscamos inicialmente para este texto uma s\u00edntese que possa contribuir com outras ricas investiga\u00e7\u00f5es e intepreta\u00e7\u00f5es que v\u00eam sendo feitas por v\u00e1rios pesquisadores e redes de estudos e investiga\u00e7\u00f5es no Brasil e em v\u00e1rias partes do mundo. H\u00e1 v\u00e1rias pesquisas sendo feitas sobre o fen\u00f4meno com an\u00e1lises mais espec\u00edficas por dimens\u00e3o ou mais amplas e totalizantes mesmo que de forma sint\u00e9tica, como se busca neste texto.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da intepreta\u00e7\u00e3o das diferentes dimens\u00f5es de an\u00e1lise, em suas m\u00faltiplas e transversais escalas, tamb\u00e9m \u00e9 oportuno observar o fen\u00f4meno em dois campos de uso das plataformas digitais: as plataformas sociais que ajudaram a tornar o mundo digital atrativo para quem ainda estava fora desse universo. As redes sociais, como s\u00e3o mais comumente chamadas, foram e s\u00e3o fundamentais para o desenvolvimento dessa l\u00f3gica de commoditifica\u00e7\u00e3o dos dados pessoais e de grupos que s\u00e3o capturados pelas plataformas, trabalhados pelos algoritmos, armazenados nos big datas e administrados por uma l\u00f3gica e uma intelig\u00eancia artificial ou das m\u00e1quinas. Assim, foram separados dois casos das redes socais e dos streamings para maior aprofundamento sobre sua pot\u00eancia e extens\u00e3o no processo de plataformiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os casos das redes digitais sociais e dos streamings como usina extrativa de dados e base do capitalismo de plataformas<br><\/strong>Ap\u00f3s tratar de uma forma geral sobre o processo de plataformiza\u00e7\u00e3o \u00e9 oportuno trazer \u00e0 tona dois casos que ajudam na an\u00e1lise das transforma\u00e7\u00f5es em curso no capitalismo contempor\u00e2neo. As plataformas digitais das redes sociais e streamings se situam na dimens\u00e3o da cultura e do comportamento da sociedade informacional contempor\u00e2nea logada online.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa dimens\u00e3o do capitalismo de plataforma tamb\u00e9m se interliga e se cruza com as demais, na medida em que a commodifica\u00e7\u00e3o e a centraliza\u00e7\u00e3o dos quintilh\u00f5es de dados, capturados diariamente, permitem potentes transforma\u00e7\u00f5es na geoeconomia (quase todos os setores da economia em diferentes regi\u00f5es do mundo), da pol\u00edtica (tecnopol\u00edtica) e da geopol\u00edtica enquanto rela\u00e7\u00f5es e disputa de poder global.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o cabe (e n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o neste texto) para aprofundar o que s\u00e3o, como se organizaram e como se expandem as plataformas digitais das redes sociais e dos streamings. Assim, a seguir ser\u00e1 apresentada apenas uma breve s\u00edntese sobre esses tipos de PDs e os seus indicadores de utiliza\u00e7\u00e3o que reafirmam a pot\u00eancia das redes sociais e streamings de filmes e v\u00eddeos na vida digitalizada contempor\u00e2nea.<\/p>\n\n\n\n<p>As estat\u00edsticas sobre o uso das redes sociais em n\u00edvel mundial trazem dados com varia\u00e7\u00f5es que s\u00e3o frutos tanto da qualidade das pesquisas e das amostras quanto da velocidade com que os fatos e as transforma\u00e7\u00f5es v\u00e3o se sucedendo em ritmos cada vez mais velozes. No curso de um ano, uma nova rede social surge, outra \u00e9 fundida e incorporada e outras saem de um pa\u00eds para alcan\u00e7ar milh\u00f5es de acessos em outra parte do mundo. Por\u00e9m, a lideran\u00e7a e o n\u00famero de usu\u00e1rios por pa\u00eds, naturalmente, tende a ser maior nas na\u00e7\u00f5es mais populosas e tamb\u00e9m aquelas com um bom n\u00edvel de desenvolvimento em termos de rede (internet) e inform\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o relat\u00f3rio Global Digital Statshot 2019 [18], confeccionado pelas empresas de dados, Hootsuite e We Are&nbsp;Social, em 2019, havia no mundo um total de 3,494 bilh\u00f5es de usu\u00e1rios das redes sociais dentro de um universo de 4,388 bilh\u00f5es de pessoas conectadas na internet e 5,112 bilh\u00f5es de usu\u00e1rios \u00fanicos de telefones celulares. Em 2017, apenas dois anos antes, o n\u00famero de usu\u00e1rios das redes sociais era de 3 bilh\u00f5es de pessoas, ou cerca de 20% menor. Em 2019, j\u00e1 com 3,5 bilh\u00f5es de usu\u00e1rios, a penetra\u00e7\u00e3o das m\u00eddias (plataformas) sociais equivalia a 42%, ou pr\u00f3ximo da metade da popula\u00e7\u00e3o mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>As estat\u00edsticas sobre o n\u00famero de usu\u00e1rios das redes sociais por pa\u00eds tamb\u00e9m varia bastante, mas n\u00e3o a ordem delas. O penetra\u00e7\u00e3o das m\u00eddias sociais nos EUA, China, Europa e at\u00e9 Brasil fica em torno de 65% a 70% da popula\u00e7\u00e3o de cada um desses pa\u00edses. Na \u00c1frica e em outras regi\u00f5es da \u00c1sia os percentuais s\u00e3o bem menores, fatos que confirmam a desigualdade de acessos \u00e0 internet.<\/p>\n\n\n\n<p>A lideran\u00e7a mundial de acessos \u00e0s redes sociais est\u00e1 com a China, depois \u00cdndia, EUA e Brasil. China com 673,5 milh\u00f5es, \u00cdndia com 326,1 milh\u00f5es, EUA com 230 milh\u00f5es e Brasil disputando quarta posi\u00e7\u00e3o com a Indon\u00e9sia em cerca de 140 milh\u00f5es de indiv\u00edduos ativos nas redes sociais. No Brasil, dentro de universo de 150,4 milh\u00f5es de usu\u00e1rios de internet. Em resumo, cerca de 2\/3 da popula\u00e7\u00e3o brasileira \u00e9 ativa em redes sociais. O uso mundial das m\u00eddias sociais \u00e9 mais masculino (54% x 46%), embora a popula\u00e7\u00e3o seja de maioria feminina. Em termos de faixa et\u00e1ria, a maior parte dos usu\u00e1rios tem entre 25 e 34 anos, mas \u00e9 seguida de perto pela popula\u00e7\u00e3o com idade entre 18 a 24 anos [18].<\/p>\n\n\n\n<p>As fronteiras do que s\u00e3o as redes socais \u2013 ou outros instrumentos de comunica\u00e7\u00e3o social \u2013 pela internet s\u00e3o cada vez mais fluidas. Algumas redes s\u00e3o do mesmo grupo (holding) e h\u00e1 tend\u00eancia maior de que outras venham a ser unificadas em futuro pr\u00f3ximo. Embora tenham tido in\u00edcio com o Facebook em 2004, a diversifica\u00e7\u00e3o \u00e9 hoje muito grande, com varia\u00e7\u00f5es de utiliza\u00e7\u00e3o entre alguns pa\u00edses centrais. Com o tempo, as redes sociais foram se misturando a outros canais como os de v\u00eddeo (Youtube, TikTok etc.), os de comunica\u00e7\u00e3o breve (Twitter), e os de uso inicial e priorit\u00e1rio para imagens, como o Instagram, entre outros. H\u00e1 ainda os aplicativos de troca de mensagens que juntam troca de textos, \u00e1udios e v\u00eddeos. Essas plataformas das redes socais mant\u00eam especificidades, mas no geral o que d\u00e1 certo tende a ser em seguida copiado pelas demais, com breves adapta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do uso das redes socais com o Facebook e cong\u00eaneres, h\u00e1 ainda os aplicativos de troca de mensagens diretas ou em grupos atrav\u00e9s do WhatsApp (o mais utilizado), Messenger e o chin\u00eas Wechat. Como t\u00eam fun\u00e7\u00f5es distintas, al\u00e9m de algumas similares, \u00e9 muito comum o uso simult\u00e2neo e compartilhado desses v\u00e1rios aplicativos. Em v\u00e1rios pa\u00edses \u00e9 muito comum que as operadoras de telefonia ofere\u00e7am o acesso sem custo (<em>Zero Ratting<\/em>) a esses aplicativos, em especial ao Facebook, WhatsApp e Instagram, que tamb\u00e9m por isso se tornaram mais populares.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2020 o Facebook lidera em n\u00famero de usu\u00e1rios no mundo com 2,6 bilh\u00f5es de usu\u00e1rios, seguido do Youtube (da Google) com 2 bilh\u00f5es e o Instagram em terceiro com 1,1 bilh\u00e3o. O chin\u00eas TikTok vem na quarta posi\u00e7\u00e3o com 800 milh\u00f5es e em quinto lugar outro aplicativo chin\u00eas, o Weibo, com 550 milh\u00f5es [18]. O Facebook foi criado em 2004 em Cambridge, Massachusetts, EUA, sendo hoje uma empresa controlada pelo grupo de mesmo nome, a Facebook Inc. A corpora\u00e7\u00e3o-plataforma Facebook levou oito anos para completar em outubro de 2012 o seu primeiro bilh\u00e3o de usu\u00e1rios. Em 2020, ap\u00f3s mais oito anos, o relat\u00f3rio Global Digital Statshot 2020 indica o alcance de 2,6 bilh\u00f5es de usu\u00e1rios em n\u00edvel global, equivalente a 58% dos usu\u00e1rios de internet ou 38% da popula\u00e7\u00e3o mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>Para surpresa de alguns, o maior n\u00famero de usu\u00e1rios do Facebook n\u00e3o est\u00e1 nos EUA, sua sede, mas na populosa \u00cdndia, onde possui algo em torno de 300 milh\u00f5es de adeptos. Os EUA v\u00eam em seguida, com 210 milh\u00f5es de usu\u00e1rios. Na terceira posi\u00e7\u00e3o est\u00e1 o Brasil, com 130 milh\u00f5es de usu\u00e1rios. A China utiliza suas redes sociais. Entre elas a WeChat (o WhatsApp da companhia chinesa Tencent que tamb\u00e9m realiza pagamentos) com 1 bilh\u00e3o de usu\u00e1rios [19]. O WeChat \u00e9 menor que o WhatsApp e o FB mas tem esse n\u00famero colossal de usu\u00e1rios praticamente s\u00f3 na China e possui em 2020 um maior valor de mercado do que a similar americana.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra companhia chinesa \u00e9 a ByteDance, que possui o popular aplicativo de v\u00eddeos TikTok o qual, como foi dito acima, det\u00e9m um universo de 800 milh\u00f5es de usu\u00e1rios. No final do primeiro semestre de 2020 j\u00e1 tinha alcan\u00e7ado enorme penetra\u00e7\u00e3o nos EUA, onde tinha cerca de 100 milh\u00f5es de usu\u00e1rios. At\u00e9 por conta dessa realidade, no in\u00edcio de agosto de 2020 o aplicativo de v\u00eddeos TikTok foi objeto de uma etapa da disputa EUA x China em que Trump pretendia proibir seu uso no territ\u00f3rio americano e tamb\u00e9m questionava a compra da sua atua\u00e7\u00e3o nos EUA pela Microsoft e outros grupos americanos, incluindo o Wallmart, de varejo.<\/p>\n\n\n\n<p>Os EUA alegavam suspeita de espionagem, a mesma argui\u00e7\u00e3o que j\u00e1 havia feito contra a Huawei, que \u00e9 fabricante de equipamentos de infraestrutura de redes de tecnologia 5G. A Huawei tinha sido proibida, ainda em 2019, de atuar nos EUA que segue pressionando para que outros pa\u00edses aliados fa\u00e7am o mesmo e rejeitem o 5G da empresa de tecnologia chinesa. No fundo, a interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 que os EUA temiam que a China fizesse o mesmo que era atribu\u00eddo a si nos esquemas de espionagem mundialmente conhecidos da NSA (caso Snowden), onde \u201co software PRISM coletava dados diretamente de nove companhias americanas: Microsoft, Yahoo, Google, Facebook, PalTalk, AOL, Skype, Youtube e Apple\u201d [20]. Segundo a mat\u00e9ria de&nbsp;<em>O Globo<\/em>&nbsp;sobre a guerra tecnol\u00f3gica entre EUA x China por conta de todo esse confronto, hoje \u201ca China utiliza outro software \u2018Great Fire Wall\u2019, que regularia tudo o que circula na internet chinesa com bloqueios a temas sens\u00edveis. Por causa das restri\u00e7\u00f5es, empresas americanas como Google, Facebook e Twitter s\u00e3o proibidas de operar na China, o que criou uma reserva de mercado para a expans\u00e3o de chinesas como a ByteDance e a Tencent\u201d, segundo a reportagem [19].<\/p>\n\n\n\n<p>A China possui diversas outras plataformas de redes sociais com n\u00fameros extraordin\u00e1rios de usu\u00e1rios e acessos. O WeiBo (Sina Weibo), com cerca de 550 milh\u00f5es de usu\u00e1rios. A plataforma Kuaishou, com mais de 400 milh\u00f5es de usu\u00e1rios. Al\u00e9m dessas tem a YouKu, Baidu, Tieba, Toution, Duban, Meipai etc. A R\u00fassia tamb\u00e9m possui suas redes sociais. A de maior destaque \u00e9 a VK, o Facebook russo, com cerca de 400 milh\u00f5es de perfis e dispon\u00edvel para uso tanto na web (Windows) quanto nos sistemas iOS (Apple) e Android, podendo ser utilizado em 86 diferentes idiomas.<\/p>\n\n\n\n<p>Como se observa, em termos de redes sociais h\u00e1 uma geopol\u00edtica espacial que parece separar o mundo ocidental da \u00c1sia e da R\u00fassia. Isso tem a ver com rela\u00e7\u00f5es de poder mas tamb\u00e9m com as quest\u00f5es comerciais de interesse das corpora\u00e7\u00f5es desses pa\u00edses. De certa forma, os EUA avan\u00e7aram para o controle dessas plataformas sociais para todo o Ocidente mais a \u00cdndia, que acessa em maior parte as redes americanas do que as asi\u00e1ticas. J\u00e1 a R\u00fassia criou a sua rede social, como fez a China, para evitar a captura de dados governamentais estrat\u00e9gicos e tamb\u00e9m da comunica\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o como um todo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda sobre as redes sociais, vale um olhar especial para o aplicativo WhatsApp, de trocas de mensagens, que foi criado em 2009 tamb\u00e9m nos EUA, como alternativa ao envio de mensagens via celular pelo SMS, ou torpedos. Em cinco anos o WhatsApp j\u00e1 tinha se tornado um aplicativo muito popular e por isso foi comprado por US$ 22 bilh\u00f5es pelo Facebook, ampliando ainda mais a concentra\u00e7\u00e3o da empresa e tornando os dois aplicativos tamb\u00e9m mais potentes em termos de redes sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>Em fevereiro de 2020, a ag\u00eancia de not\u00edcias Reuters, em reportagem replicada pela&nbsp;<em>Folha de S.Paulo<\/em>&nbsp;[21], informou que o WhatsApp tinha atingido o n\u00famero de 2 bilh\u00f5es de usu\u00e1rios em todo o mundo. Em 2014 esse aplicativo de rede social tinha apenas 500 milh\u00f5es, quando o Facebook o comprou. Em 2018 eram 1,5 bilh\u00e3o de usu\u00e1rios e depois em 2020 alcan\u00e7ou o universo de 2 bilh\u00f5es. Ou seja, em apenas seis anos o WhatsApp multiplicou por quatro o n\u00famero de usu\u00e1rios no mundo. Assim, numa an\u00e1lise global das redes sociais as duas empresas do mesmo grupo (Facebook e WhatsApp) lideram o n\u00famero de usu\u00e1rios em termos globais. Uma com 2,6 bilh\u00f5es de usu\u00e1rios e outra com 2 bilh\u00f5es de usu\u00e1rios, empatada com o Youtube da Google. E seguida de perto por outras duas empresas da holding Facebook, o Messenger com 1,3 bilh\u00e3o e o Instagram com 1,1 bilh\u00e3o de usu\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>O poder do WhastsApp no Ocidente \u00e9 muito grande. No mundo, o aplicativo de mensagens est\u00e1 dispon\u00edvel em 180 pa\u00edses e 60 diferentes idiomas e, por isso, hoje tem imenso poder no campo da tecnopol\u00edtica em fun\u00e7\u00e3o da agilidade, frequ\u00eancia de uso e conhecimento profundo que tem dos eleitores, o que lhe confere, enquanto instrumento de comunica\u00e7\u00e3o direta, enorme capacidade de influ\u00eancia sobre as disputas eleitorais em diversos pa\u00edses. Em janeiro de 2020, o WhatsApp tinha atingido o extraordin\u00e1rio n\u00famero de 5 bilh\u00f5es de instala\u00e7\u00f5es apenas na Google Play Store, dado que refor\u00e7a a interpreta\u00e7\u00e3o sobre seu poder de penetra\u00e7\u00e3o como aplicativo de mensagens.<\/p>\n\n\n\n<p>Os servi\u00e7os de mensagens ainda n\u00e3o s\u00e3o regulados em lugar nenhum do mundo e por isso, det\u00eam esse enorme poder. Um dos autores do livro&nbsp;<em>Fake news e regula\u00e7\u00e3o<\/em>, Ricardo Campos (professor da Goethe Universit\u00e3t Frankfurt e colaborador dos debates no Congresso brasileiro para a elabora\u00e7\u00e3o da Lei de Liberdade, Responsabilidade e Transpar\u00eancia na Internet, mais conhecida como Lei das Fake News), afirmou que \u201cem nenhum lugar do mundo os servi\u00e7os de mensagens t\u00eam o impacto que t\u00eam no Brasil. \u00c9 uma infraestrutura de comunica\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Ningu\u00e9m, quer calar cidad\u00e3os, o que se quer \u00e9 criar mecanismos de responsabiliza\u00e7\u00e3o de uma produ\u00e7\u00e3o em escala industrial de not\u00edcias falsas\u201d [22].<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, no final de 2019, o n\u00famero de usu\u00e1rios do WhatsApp era de 136 milh\u00f5es de pessoas [23]. Pesquisa do site de tecnologia TecMundo indicou que o WhatsApp est\u00e1 presente em 99% dos celulares do Brasil (em 2018 esse percentual era de 96%), enquanto o Messenger estaria presente em 79% dos aparelhos m\u00f3veis [24]. Outra pesquisa do Chroma Insight 2019 revelou que 95% dos brasileiros deixam o aplicativo do WhatsApp na tela inicial do smarphone, o que pode ser considerado como o principal canal de comunica\u00e7\u00e3o m\u00f3vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo pesquisa do Hootsuite 2019 (sistema de gest\u00e3o de marcas em m\u00eddia social), 98% dos usu\u00e1rios do WhatsApp no Brasil usam o aplicativo diariamente. J\u00e1 a pesquisa do Croma Insights 2019 identificou que 65% dos brasileiros t\u00eam o h\u00e1bito de usar o app \u00e0 noite, pouco antes de dormir, e 50% dos entrevistados afirmaram que utilizam o aplicativo assim que acordam pela manh\u00e3. Outro pico de uso do aplicativo WhatsApp no Brasil \u00e9 na hora do almo\u00e7o (cerca de 47%) e 45% quando assistem televis\u00e3o [25].<\/p>\n\n\n\n<p>Uma pesquisa realizada por telefone em todos os estados e no Distrito Federal pela C\u00e2mara dos Deputados do Brasil em outubro de 2019 [26] ouviu 2,4 mil pessoas que t\u00eam acesso \u00e0 internet e identificou que 79% dos brasileiros usam o WhatsApp como principal fonte de informa\u00e7\u00e3o, enquanto os canais de TV v\u00eam a seguir com 50%. As redes sociais vinham logo atr\u00e1s, atrav\u00e9s dos aplicativos: YouTube com 49%; FB com 44% e Instagram, 30%, com maior for\u00e7a entre os mais jovens. Depois estavam os sites de not\u00edcias com 38%; r\u00e1dios 22%; jornais 8%; e Twitter com 7%. J\u00e1 no que diz respeito \u00e0 faixa et\u00e1ria de uso do WhatsApp, a maioria est\u00e1 entre 35 e 54 anos, sendo maioria os que t\u00eam mais de 45 anos [26].<\/p>\n\n\n\n<p>Em termos das plataformas de streaming e v\u00eddeos, os usos s\u00e3o crescentes e as estat\u00edsticas indicam que representam uma amea\u00e7a cada vez maior sobre as formas mais tradicionais de m\u00eddia, em especial as TVs. A lideran\u00e7a no mundo, retirando a China, fica tamb\u00e9m com as corpora\u00e7\u00f5es americanas: Netflix, Amazon Prime V\u00eddeo, HBO Go, Fox Play, Disney+, Apple TV+ e HBO Max. As \u00faltimas ainda se expandindo em termos de oferta pelo mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>No final de 2019 a Netflix, a maior delas, informou que tinha no mundo cerca de 160 milh\u00f5es de assinantes em quase 200 pa\u00edses, quase metade EUA + Canad\u00e1, seguida pela Europa e Am\u00e9rica Latina. Em segundo est\u00e1 a Amazon Prime com n\u00famero estimado em cerca de 100 milh\u00f5es s\u00f3 nos EUA, onde a assinatura tamb\u00e9m oferece direito a descontos na entrega de produtos f\u00edsicos. Em junho de 2020, a lista dos 100 Tops que ganharam com a pandemia indicou que a Netflix tinha ampliado em 23% o n\u00famero de assinantes e chegado a 183 milh\u00f5es [7].<\/p>\n\n\n\n<p>Ultimamente a Netflix j\u00e1 vem sendo amea\u00e7ada por grandes est\u00fadios que est\u00e3o retirando seus t\u00edtulos para lan\u00e7ar suas plataformas pr\u00f3prias. Mas est\u00e1 respondendo com a contrata\u00e7\u00e3o de produtoras locais para lan\u00e7amento de filmes e s\u00e9ries que a empresa-plataforma compra e passa a disponibilizar de forma segmentada para p\u00fablicos que identifica com a captura de dados dos seus usu\u00e1rios e com uso de Big Data, algoritmos e Intelig\u00eancia Artificial. Por isso, a m\u00e1quina extratora de dados \u00e9 t\u00e3o importante para a gigante mundial do streaming. S\u00e3o cerca de 3 quintilh\u00f5es de dados capturados diariamente por essas plataformas. Fen\u00f4meno que Shoshana Zuboff denomina como capitalismo de vigil\u00e2ncia [12].<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil \u00e9 considerado o sexto pa\u00eds com maior crescimento de horas de utiliza\u00e7\u00e3o de streaming no mundo. A plataforma de streaming Youtube \u00e9 onde os brasileiros passam mais tempo; seguido por Netflix, Youtube Kids, Twitch e Globo Play. No Brasil, no final do primeiro semestre de 2020, tamb\u00e9m atuavam em streamings o Now (NET), Telecine Play e Looke.<\/p>\n\n\n\n<p>Em junho de 2020, no auge da pandemia, o aumento da utiliza\u00e7\u00e3o de streaming no Brasil fez com que se tornasse o 2\u00ba maior ibope do pa\u00eds, s\u00f3 atr\u00e1s da TV Globo e na frente do total de TVs por assinatura e tamb\u00e9m de todos os demais canais de TV, com 7,0 pontos e 15% de share entre 7h e 0h (hor\u00e1rio comercial). Ou seja, o streaming j\u00e1 tinha alcan\u00e7ado 15 em cada 100 televis\u00f5es ligadas no pa\u00eds, metade da audi\u00eancia de TV Globo e bem mais que a da TV Record, segundo pesquisa da Kantar Ibope [27].<\/p>\n\n\n\n<p>Em setembro de 2020 os sites&nbsp;Arroba Nerd e Just Watch realizaram um estudo sobre o uso de servi\u00e7os de streaming no Brasil nos primeiros meses de quarentena. Participaram do levantamento as empresas&nbsp;Netflix, Globoplay, HBO GO, Prime Video, TelecinePlay&nbsp;e&nbsp;Claro. A pesquisa identificou um crescimento da Netflix que j\u00e1 liderava antes. Em seguida est\u00e1 Prime Video da Amazon. As posi\u00e7\u00f5es verificadas na pesquisa foram: &nbsp;Netflix \u2013 31%; Prime Video \u2013 24%; Telecine\/HBO GO \u2013 9%; GloboPlay e Claro Video \u2013 7% [28].<\/p>\n\n\n\n<p>Os n\u00fameros crescentes dos usu\u00e1rios de streaming e de sua gigante-dominante, a Netflix, mostram tanto sua influ\u00eancia quanto sua capacidade de captura de informa\u00e7\u00f5es sobre os interesses dos assinantes dessas plataformas. Por tudo isso, \u00e9 importante compreender e levar em considera\u00e7\u00e3o a afirma\u00e7\u00e3o do criador (e CEO) da Netflix, Reed Hastings, numa confer\u00eancia realizada em Los Angeles, sede da empresa, quando afirmou que \u201co sono era o principal competidor de sua plataforma\u201d [29].<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, a influ\u00eancia das PDs vinculadas \u00e0s redes sociais e aos streamings leva \u00e0 atra\u00e7\u00e3o de assinantes e usu\u00e1rios. Estes viabilizam a usina extratora dos dados sobre suas rela\u00e7\u00f5es em sociedade, interesses, compras, ideias etc. De posse desses quintilh\u00f5es de dados, as plataformas propriet\u00e1rias dessa commodity (dados) direcionam a publicidade, criam o interesse das compras que se realizam com os fluxos de informa\u00e7\u00f5es (pagamentos) e a circula\u00e7\u00e3o de mercadorias que acabam de alguma forma direcionada \u00e0s big corpora\u00e7\u00f5es das plataformas-raiz como foi aqui sustentado. O esquema gr\u00e1fico abaixo busca reproduzir esse movimento entre produ\u00e7\u00e3o, circula\u00e7\u00e3o e consumo material e imaterial.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Figura 9: A l\u00f3gica da captura de dados e do vampirismo digital<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.comciencia.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Figura-9.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6613\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Quanto mais acessos, informa\u00e7\u00f5es, imagens e v\u00eddeos que os usu\u00e1rios disponibilizam, voluntariamente e muitas vezes inocentemente, nessas redes sociais, mais os seus controladores aumentam a capacidade de conhecer as pessoas e seus interesses. Essa massa de dados armazenados em Big Datas e processados por algoritmos treinados em Intelig\u00eancia Artificial [30] servem basicamente aos seguintes fins: comerciais, econ\u00f4micos (mercado) e pol\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Considera\u00e7\u00f5es finais<br><\/strong>O expressivo volume de informa\u00e7\u00f5es e indicadores emp\u00edricos aqui condensados e expostos, acompanhados de alguns referenciais te\u00f3ricos, permite que se fa\u00e7am algumas interpreta\u00e7\u00f5es anal\u00edticas sobre as transforma\u00e7\u00f5es em curso, a partir da centralidade da tecnologia como fator de produ\u00e7\u00e3o no capitalismo contempor\u00e2neo.<\/p>\n\n\n\n<p>O mundo saiu de uma era agr\u00e1ria (feudalismo) para um per\u00edodo industrial (fordista e depois toyotista) e agora estamos diante do \u201cplataformismo\u201d como um nova etapa do Modo de Produ\u00e7\u00e3o Capitalista (MPC) que se combina com as anteriores.<\/p>\n\n\n\n<p>Chegamos de forma concreta ao per\u00edodo \u201cinformacional\u201d levantado como tend\u00eancia por Castells, em sua trilogia da \u201cEra da Informa\u00e7\u00e3o\u201d, em especial o volume&nbsp;<em>Sociedade em rede<\/em>. Por\u00e9m, agora n\u00e3o se trata mais de hip\u00f3teses ou estimativas mas dos fatos do cotidiano, em que se pode acompanhar os intensos movimentos de seus agentes e de suas articula\u00e7\u00f5es com o Estado.<\/p>\n\n\n\n<p>Este texto reflete uma conjun\u00e7\u00e3o de diversas leituras e pretende ser uma contribui\u00e7\u00e3o para a compreens\u00e3o das estrat\u00e9gias mais importantes e dos processos desenvolvidos por essas plataformas-empresas sobre a realidade que nos circunda, e demonstra o protagonismo que a tecnologia informacional ganhou como fator de produ\u00e7\u00e3o nos dias atuais.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, se pode enxergar um pouco mais e melhor o fen\u00f4meno do capitalismo de plataformas (e o plataformismo) e seus desdobramentos numa perspectiva de totalidade, para al\u00e9m das leituras parciais, fragmentadas e algumas vezes superficiais. \u00c9 um esfor\u00e7o para uma leitura do fen\u00f4meno em termos de totalidade que n\u00e3o pretende, evidentemente, inibir as pesquisas que aprofundam as an\u00e1lises em diferentes dimens\u00f5es e\/ou escalas.<\/p>\n\n\n\n<p>O progresso via tecnologia segue entre n\u00f3s como uma ideia difusa de progresso. A \u201cutopia digital\u201d que existia h\u00e1 duas d\u00e9cadas [1] [17] parece estar nos levando para uma quase ditadura digital a partir do uso da tecnopol\u00edtica [31] que leva l\u00edderes pol\u00edticos a negarem a sua natureza de media\u00e7\u00e3o na sociedade, substituindo-a por uma l\u00f3gica frugal de busca de seguidores e engajamentos nas plataformas das redes sociais e n\u00e3o solu\u00e7\u00f5es para as popula\u00e7\u00f5es que representam.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse movimento contempor\u00e2neo da tecnopol\u00edtica representa o assassinato do ideal da democracia liberal no campo da pol\u00edtica e das rela\u00e7\u00f5es de poder. O arremedo da democracia liberal ocidental \u00e9 colocado por terra, sem mesmo levar em conta o que Steven Levitsky e Daniel Ziblatt afirmaram no livro&nbsp;<em>Como as democracias morrem<\/em>. O potente uso da bomba da tecnopol\u00edtica, dos algoritmos e da IA detona esse discurso, expondo com clarivid\u00eancia a forma autorit\u00e1ria com que o liberalismo lida com os seus cr\u00edticos.<\/p>\n\n\n\n<p>Na economia, a tecnologia ampliou a concentra\u00e7\u00e3o e a oligopoliza\u00e7\u00e3o com tend\u00eancia monopolista com vi\u00e9s ainda mais radical e sem nenhum controle do Estado. Processo que leva a um aumento dos lucros, a uma maior acumula\u00e7\u00e3o, ao desemprego e \u00e0 precariza\u00e7\u00e3o do trabalho. O resultado disso tem sido a amplia\u00e7\u00e3o das desigualdades j\u00e1 imensa em v\u00e1rias partes do mundo, desde os pa\u00edses do capitalismo central quanto nas na\u00e7\u00f5es do capitalismo tardio e perif\u00e9rico.<\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se de um processo que revela al\u00e9m da concentra\u00e7\u00e3o dos controles sobre a economia, a sociedade e a pol\u00edtica, uma enorme capacidade para lidar com os diferentes setores da sociedade, para al\u00e9m-fronteiras, em dire\u00e7\u00e3o a um mercado de alcance global<\/p>\n\n\n\n<p>As PDs se misturam \u00e0s finan\u00e7as com uma forte indu\u00e7\u00e3o ao consumismo pela propaganda dirigida e focada. A Inova\u00e7\u00e3o Tecnol\u00f3gica e a startupiza\u00e7\u00e3o apoiada pela hegemonia financeira dos capitais de risco ampliam e potencializam ainda mais o avan\u00e7o desse processo. Os fundos de investimentos junto com as PDs financeiras foram conferindo maior pot\u00eancia e uma hipermobilidade ao capital. A startupiza\u00e7\u00e3o reduz os riscos dos neg\u00f3cios que, em tese, explicariam as margens de lucro das empresas no capitalismo.<\/p>\n\n\n\n<p>O trabalho qualificado de t\u00e9cnicos e pesquisadores vinculados \u00e0s incubadoras e parques tecnol\u00f3gicos sustentados com apoio e recursos das universidades p\u00fablicas auxilia o surgimento de novos neg\u00f3cios e oportunidades em diferentes setores (fra\u00e7\u00f5es do capital), servindo, em \u00faltima inst\u00e2ncia, aos donos dos capitais. Dessa forma, os fundos financeiros quase que eliminam os riscos dos novos empreendimentos, tornando ainda mais clara a rela\u00e7\u00e3o direta entre IT e PDs. Rela\u00e7\u00e3o que tamb\u00e9m explica a rela\u00e7\u00e3o direta entre o andar das altas finan\u00e7as e a produ\u00e7\u00e3o social no territ\u00f3rio, onde vivemos e onde se produz a riqueza gerada pelo trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>As PDs expandem o potencial de captura de dados para alimentar os Big Datas (BD), os algoritmos e a Intelig\u00eancia Artificial (IA). As PDs tamb\u00e9m promovem o extrativismo e a commoditifica\u00e7\u00e3o dos dados, obtidos do trabalho produtivo e\/ou do trabalho improdutivo, atrav\u00e9s do roubo do tempo, do sono e ideias (cronofagia [32]) e v\u00e3o se tornando uma das bases de sustenta\u00e7\u00e3o do hipercapitalismo contempor\u00e2neo, com caracter\u00edsticas e tend\u00eancia de \u201ccapitalismo autof\u00e1gico\u201d, de consumir a si pr\u00f3prio [6].<\/p>\n\n\n\n<p>As PDs tamb\u00e9m ampliam a captura das rendas (excedentes) nacionais\/regionais, numa esp\u00e9cie de \u201cvampirismo digital\u201d. Um processo que exp\u00f5e a imensa capacidade de reprodu\u00e7\u00e3o e acumula\u00e7\u00e3o rentista no andar superior das altas finan\u00e7as, onde tamb\u00e9m fica mais clara a tend\u00eancia monopolista. Um novo patamar do capitalismo contempor\u00e2neo que, visto sob o prisma da Economia Pol\u00edtica e das rela\u00e7\u00f5es de poder, sugere o percurso de um \u201cneoimperialismo digital\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 a Pol\u00edtica pode conter esse processo que amplia as desigualdades, muda comportamentos e esgar\u00e7a o processo civilizacional. Esfor\u00e7os contra-hegem\u00f4nicos t\u00eam sido desenvolvidos e tentados, mas ainda com limita\u00e7\u00f5es para enfrentar o gigantismo do monop\u00f3lio ampliado pelo capitalismo de plataformas. Espera-se que o uso coletivo do conhecimento, como bem intang\u00edvel e riqueza multiplic\u00e1vel, possa ser adiante compartilhado e utilizado na dire\u00e7\u00e3o do p\u00f3s-capitalismo.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Roberto Moraes Pessanha \u00e9 professor titular aposentado do Instituto Federal Fluminense (IFF). Doutor em Pol\u00edticas P\u00fablicas e Forma\u00e7\u00e3o Humana pelo PPFH-UERJ com est\u00e1gio doutoral na faculdade de Geografia da Universidade de Barcelona. Mestre em Engenharia de Produ\u00e7\u00e3o pela COPPE\/UFRJ. Autor do livro&nbsp;<\/strong><\/em><em><strong>A \u2018ind\u00fastria\u2019 dos fundos financeiros: pot\u00eancia, estrat\u00e9gias e mobilidade no capitalismo contempor\u00e2neo<\/strong><\/em><em><strong>&nbsp;(Consequ\u00eancia, 2019). Membro da Rede Latino-Americana de pesquisadores em Espa\u00e7o-Economia: Geografia Econ\u00f4mica e Economia Pol\u00edtica (RELAEE). Mant\u00e9m desde 2004 de forma ativa e permanente o blog www.robertomoraes.com.br<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancias e\/ou notas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>[1] MOROZOV, Evgeny.&nbsp;<strong>Big Techs: A ascens\u00e3o dos dados e a morte da pol\u00edtica<\/strong>. Ubu Editora: S\u00e3o Paulo, 2018.<\/p>\n\n\n\n<p>[2] MARX, Karl.&nbsp;<strong>O capital<\/strong>. Boitempo: S\u00e3o Paulo, 2014.<\/p>\n\n\n\n<p>[3] THOMPSON, Edward.&nbsp;<strong>Costumes em comum: estudo sobre cultura popular tradicional<\/strong>. Companha das Letras: S\u00e3o Paulo, 1998.<\/p>\n\n\n\n<p>[4] HARVEY, David.&nbsp;<strong>Condi\u00e7\u00e3o p\u00f3s\u2013moderna<\/strong>: S\u00e3o Paulo, 2005.<\/p>\n\n\n\n<p>[5] DOWBOR, Ladislaw.&nbsp;<strong>O capitalismo se desloca: novas arquiteturas sociais<\/strong>. Edi\u00e7\u00f5es Sesc S\u00e3o Paulo: S\u00e3o Paulo, 2020<\/p>\n\n\n\n<p>[6] Nos referimos \u00e0 express\u00e3o \u201c<strong>capitalismo autof\u00e1gico<\/strong>\u201d dentro da analogia com o termo derivado do sistema biol\u00f3gico e celular. Autofagia&nbsp;se refere ao&nbsp;processo&nbsp;de degrada\u00e7\u00e3o e reciclagem de componentes da c\u00e9lula. O termo&nbsp;autofagia&nbsp;deriva do grego e significa \u201ccomer a si pr\u00f3prio\u201d, ou seja, a c\u00e9lula digere partes de si mesma. O que nos permite interpretar que o \u201ccapitalismo de plataformas\u201d, como um regime de acumula\u00e7\u00e3o primitiva e de tend\u00eancia monopolista, refor\u00e7a a interpreta\u00e7\u00e3o de que o capitalismo visto de forma geral, enquanto sistema, \u00e9 basicamente, autof\u00e1gico.<\/p>\n\n\n\n<p>[7] Financial Times. FT Series. 19 junho de 2020. P.1\u201311.&nbsp;<strong>Coronavirus economic impact Prospering in the pandemic: the top 100 companies<\/strong>.&nbsp;<a href=\"about:blank\">https:\/\/www.ft.com\/content\/844ed28c\u20138074\u20134856\u2013bde0\u201320f3bf4cd8f0<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>[8] Mat\u00e9ria de O Globo. 20 de Agosto de 2020 p. 33.&nbsp;<strong>Apple bate recorde e atinge valor de US$ 2 trilh\u00f5es<\/strong>: fabricante de iPhone \u00e9 a primeira empresa americana a alcan\u00e7ar esse patamar no mercado. Globo online em 19 agosto de 2020:&nbsp;<a href=\"about:blank\">https:\/\/oglobo.globo.com\/economia\/apple\u2013bate\u2013novo\u2013recorde\u2013atinge\u2013us\u20132\u2013trilhoes\u2013em\u2013valor\u2013de\u2013mercado\u201324594445<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>[9] KENNEY, Martin and ZYSMAN, John.&nbsp;<strong>The platform economy: restructuring the space of capitalist accumulation<\/strong>.&nbsp; Cambridge Journal of Regions, Economy and Society, publicado em 19 de mar\u00e7o de 2020. Revista: Regi\u00f5es, Economia e Sociedade de Cambridge.&nbsp;<a href=\"about:blank\">https:\/\/oup.silverchair\u2013cdn.com\/UI\/app\/svg\/pdf.svg<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>[10] SRNICEK, Nick.&nbsp;<strong>Capitalismo de Plataformas<\/strong>. Caja Negra: Buenos Aires, 2018.<\/p>\n\n\n\n<p>[11] LANGLEY, Paul and LEYSHOW, Andrew.&nbsp;<strong>Platform capitalism: the intermediation and capitalization of digital economic circulation. Finance and Society<\/strong>, p. 1\u201321, 2016.&nbsp;<a href=\"about:blank\">https:\/\/nottingham\u2013repository.worktribe.com\/output\/803713\/platform\u2013capitalism\u2013the\u2013intermediation\u2013and\u2013capitalization\u2013of\u2013digital\u2013economic\u2013circulation<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>[12] ZUBOFF, Shoshana.&nbsp;<strong>The Age of Surveillance Capitalism: The Fight for a Human Future at the New Frontier of Power<\/strong>. Edi\u00e7\u00e3o: 1. [s.l.]: PublicAffairs: Nova York, 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre a vigil\u00e2ncia e a captura de dados que a caracterizam \u00e9 oportuno distinguir a segunda da primeira. A captura de dados \u00e9 o central no processo de plataformiza\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, o fil\u00f3sofo coreano Byung\u2013Chul Han, em seu livro \u201c<strong>Psicopol\u00edtica: o neoliberalismo e as novas t\u00e9cnicas de poder<\/strong>\u201d, Editora \u00c2yin\u00e9, 2018, ao falar do pan\u2013\u00f3ptico digital e do uso massivo da internet e dos smarphones, tablets e computadores questiona o estado de vigil\u00e2ncia a que se refere hoje. \u201cO smarphone substitui a c\u00e2mara de tortura\u201d do \u201cestado de vigil\u00e2ncia\u201d citado por Orwell, quando este se referia ao \u201cGrande Irm\u00e3o\u201d que arrancava as informa\u00e7\u00f5es contra a nossa vontade. No capitalismo de plataformas, a informa\u00e7\u00e3o \u00e9 capturada, mas ela \u00e9 em boa parte fornecida. Han afirma que \u201ca revela\u00e7\u00e3o \u00e9 volunt\u00e1ria\u201d e a \u201cautoexplora\u00e7\u00e3o e a autoexposi\u00e7\u00e3o seguem a mesma l\u00f3gica e a liberdade \u00e9 sempre explorada\u201d (HAN, 2018, p. 57).&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>[13] PESSANHA, Roberto Moraes.&nbsp;<strong>A `ind\u00fastria\u00b4 dos fundos financeiros: pot\u00eancia, estrat\u00e9gias e mobilidade no capitalismo contempor\u00e2neo<\/strong>. Consequ\u00eancia: Rio de Janeiro, 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>[14] LENCIONI, Sandra.&nbsp;<strong>Condi\u00e7\u00f5es gerais de produ\u00e7\u00e3o e espa\u00e7o\u2013tempo nos processos de valoriza\u00e7\u00e3o e capitaliza\u00e7\u00e3o<\/strong>. No prelo. S\u00e3o Paulo. 2020. Real\u00e7o a refer\u00eancia a este importante texto da professora Sandra Lencioni (Geografia, USP), compreendendo que ainda h\u00e1 muito a ser aprofundado na an\u00e1lise sobre as condi\u00e7\u00f5es gerais de produ\u00e7\u00e3o no processo de plataformiza\u00e7\u00e3o. As condi\u00e7\u00f5es gerais de produ\u00e7\u00e3o s\u00e3o mais que as instala\u00e7\u00f5es fixas das infraestruturas. Esse conceito de origem marxiana parece indispens\u00e1vel para o aprofundamento das investiga\u00e7\u00f5es sobre o papel das PDs na extra\u00e7\u00e3o de valor (e capitaliza\u00e7\u00e3o) que explica tanto o fen\u00f4meno do valor em movimento, quanto a fun\u00e7\u00e3o de intermedia\u00e7\u00e3o do processo de plataformiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>[15] A respeito da infraestrutura das nuvens (<em>clouds<\/em>), a sua denomina\u00e7\u00e3o, a sua rela\u00e7\u00e3o com o conceito de Condi\u00e7\u00f5es Gerais de Produ\u00e7\u00e3o sugiro a miniss\u00e9rie\u2013document\u00e1rio americana (2020)&nbsp;<strong><em>Connected<\/em><\/strong>&nbsp;(<strong>A era dos dados: Ci\u00eancia por tr\u00e1s de tudo<\/strong>) do jornalista Latif Nasser, especializado em ci\u00eancias. A temporada 1 da miniss\u00e9rie est\u00e1 na plataforma Netflix \u2013 um paradoxo a essas cr\u00edticas \u00e0s plataformas digitais e no caso aos streamings que seguem as contradi\u00e7\u00f5es do capitalismo \u2013 e possui seis epis\u00f3dios. O de n\u00famero 5, \u201c<strong>Nuvens<\/strong>\u201d descreve a origem da denomina\u00e7\u00e3o, a extraordin\u00e1ria infraestrutura de cabos (inclusive submarinos) e instala\u00e7\u00f5es reais e f\u00edsicas para armazenagem de dados, os big\u2013datas.<\/p>\n\n\n\n<p>[16] A respeito do taylorismo digital e da controle sobre a geolocaliza\u00e7\u00e3o (online) do entregador por parte da PD, da rapidez e efici\u00eancia da entrega do produto at\u00e9 o consumidor, eu sugiro o filme \u201c<strong>Voc\u00ea n\u00e3o estava aqui<\/strong>\u201d (2019), de Ken Loach, o mesmo autor de \u201cEu, Daniel Blake\u201d (2016). O filme mostra a vida e o trabalho precarizado e superexplorado de um entregador de aplicativos (PD).<\/p>\n\n\n\n<p>[17] CATELLS, Manuel.&nbsp;<strong>A sociedade em rede<\/strong>. Paz e Terra: S\u00e3o Paulo. 2002.<\/p>\n\n\n\n<p>[18]&nbsp;<strong>Relat\u00f3rio Global Digital Statshot 2019<\/strong>.&nbsp;<strong>Digital 2019<\/strong>. Weare Social e Hootsuite.&nbsp;<a href=\"about:blank\">https:\/\/wearesocial.com\/global\u2013digital\u2013report\u20132019<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>[19] Mat\u00e9ria de O Globo em 8\u20138\u201320, p.23. BATISTA, Henrique G. e MARTINS, Gabriel.&nbsp;<strong>Guerra Tecnol\u00f3gica: Trump pro\u00edbe empresas de negociarem com aplicativos chineses e afeta mercados.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>[20] Os fatos relativos \u00e0 espionagem na NSA dos EUA foram expostos no filme dirigido por Oliver Stone (2016), \u201c<strong><em>Snowden: her\u00f3i ou traidor<\/em><\/strong>\u201d. O filme \u00e9 indispens\u00e1vel para se tomar conhecimento de fatos e documentos sigilosos que comprovam atos de espionagem praticados pelo governo estadunidense contra cidad\u00e3os comuns, corpora\u00e7\u00f5es e lideran\u00e7as internacionais, como a Petrobras, a presidente Dilma Roussef e a chanceler alem\u00e3 Angela Merkel.<\/p>\n\n\n\n<p>[21] Mat\u00e9ria da Reuters, replicada pela Folha de S\u00e3o Paulo, em 12 de fevereiro de 2020.&nbsp;<strong>WhatsApp atinge 2 bilh\u00f5es de usu\u00e1rios \u2013 Rede social tinha 500 milh\u00f5es em 2014, quando o Facebook comprou por US$ 19 bilh\u00f5es<\/strong>.&nbsp;<a href=\"about:blank\">https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mercado\/2020\/02\/whatsapp\u2013atinge\u20132\u2013bilhoes\u2013de\u2013usuarios.shtml<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>[22] Mat\u00e9ria em O Globo, 07 de setembro de 2020, p. 6. FIGUEIREDO, Jana\u00edna.&nbsp;<strong>Deve existir transpar\u00eancia sobre as plataformas<\/strong>.&nbsp;<a href=\"about:blank\">https:\/\/blogs.oglobo.globo.com\/sonar\u2013a\u2013escuta\u2013das\u2013redes\/post\/deve\u2013existir\u2013transparencia\u2013sobre\u2013plataformas\u2013avalia\u2013ricardo\u2013campos\u2013autor\u2013do\u2013livro\u2013fake\u2013news\u2013e\u2013regulacao.html<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;[23] Mat\u00e9ria da Ag\u00eancia Brasil em 10 de dezembro de 2019.&nbsp;<strong>WhatsApp \u00e9 a principal fonte de informa\u00e7\u00e3o dos brasileiros, diz pesquisa<\/strong>.&nbsp;<a href=\"about:blank\">https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2019\u201312\/whatsapp\u2013e\u2013principal\u2013fonte\u2013de\u2013informacao\u2013do\u2013brasileiro\u2013diz\u2013pesquisa<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;[24] Mat\u00e9ria do site de tecnologia TecMundo em 28 de fevereiro de 2020.&nbsp;<strong>WhatsApp est\u00e1 em 99% dos celulares no Brasil, diz pesquisa<\/strong>.&nbsp;<a href=\"about:blank\">https:\/\/www.tecmundo.com.br\/software\/150647\u2013whatsapp\u201399\u2013celulares\u2013brasil\u2013diz\u2013pesquisa.htm<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;[25] Mat\u00e9ria no site Oberlo com dados estat\u00edsticos de uso de internet e aplicativos em 31 de mar\u00e7o de 2020.&nbsp;<strong>9 estat\u00edsticas sobre o WhatsApp que voc\u00ea precisa conhecer<\/strong>.&nbsp;<a href=\"about:blank\">https:\/\/www.oberlo.com.br\/blog\/estatisticas\u2013whatsapp<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;[26] Mat\u00e9ria do Estad\u00e3o em 5 de julho de 2019.&nbsp;<strong>Adultos com mais de 45 anos s\u00e3o principais usu\u00e1rios de redes sociais no Pa\u00eds, diz estudo<\/strong>.&nbsp;<a href=\"about:blank\">https:\/\/link.estadao.com.br\/noticias\/cultura\u2013digital,adultos\u2013com\u2013mais\u2013de\u201345\u2013anos\u2013sao\u2013principais\u2013usuarios\u2013de\u2013redes\u2013sociais\u2013no\u2013pais\u2013diz\u2013estudo,70002907108<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>[27] Mat\u00e9ria da Microsoft News MSN em 9 de julho de 2020.&nbsp;<strong>Plataformas de streaming perderam apenas para a Globo no Ibope de junho<\/strong>.&nbsp;<a href=\"about:blank\">https:\/\/www.msn.com\/pt\u2013br\/dinheiro\/economia\u2013e\u2013negocios\/plataformas\u2013de\u2013streaming\u2013perderam\u2013apenas\u2013para\u2013a\u2013globo\u2013no\u2013ibope\u2013de\u2013junho\/ar\u2013BB16xSOq<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>[28] Mat\u00e9ria do site de tecnologia @Nerd em 1 de setembro de 2020.&nbsp;<strong>Guerra dos Streamings \u2013 Estudo mostra que HBO Go desperta mais interesse do que Globoplay no Brasil; Netflix lidera<\/strong>.&nbsp;<a href=\"about:blank\">https:\/\/www.arrobanerd.com.br\/estudo\u2013sobre\u2013o\u2013interesse\u2013do\u2013brasileiro\u2013nos\u2013servicos\u2013de\u2013streaming\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>[29] Mat\u00e9ria do site de tecnologia Olhar digital sobre declara\u00e7\u00e3o de criador e CEO da Netflix em Los Angeles. 18 de abril de 2017:&nbsp;<strong>Maior concorrente da Netflix \u00e9 o sono, diz CEO.&nbsp;&nbsp;<\/strong><a href=\"about:blank\">https:\/\/olhardigital.com.br\/noticia\/maior\u2013concorrente\u2013da\u2013netflix\u2013e\u2013o\u2013sono\u2013diz\u2013ceo\/67679<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>[30] Sobre o uso da Intelig\u00eancia Artificial (IA) e treinamento de algoritmos para se aproximar da forma de pensar dos humanos, sugiro a s\u00e9rie\u2013document\u00e1rio \u201c<strong><em>Dark Net<\/em><\/strong>\u201d (\u201c<strong>Rede Sombria<\/strong>\u201d) de Mati Kochavi feita para o canal Show Time (2016 e 2017, primeira e segunda temporadas) com oito epis\u00f3dios cada. A s\u00e9rie aborda diferentes momentos e fatos que ajudam a explicar como a tecnologia \u00e9 incorporada ao cotidiano e tamb\u00e9m descreve a dark net, guerra digital e o biohacking. A temporada 2 da s\u00e9rie esteve dispon\u00edvel na plataforma Netflix \u2013 novamente um paradoxo a estas cr\u00edticas \u00e0s plataformas digitais e no caso aos streamings que seguem as contradi\u00e7\u00f5es do capitalismo. Chamo a aten\u00e7\u00e3o em especial para a temporada 2 e epis\u00f3dios que abordam o treinamento de algoritmos.<\/p>\n\n\n\n<p>[31] DA EMPOLI, Giuliano.&nbsp;<strong>Os Engenheiros do caos<\/strong>. Vest\u00edgio: S\u00e3o Paulo, 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>[32] Artigo do SCAFFIDI, Giuseppe no portal Outras Palavras: \u201c<strong>Cronofagia: o roubo do tempo, sono e ideias<\/strong>\u201d, publicado em 17 de fevereiro de 2020. Scaffidi cita Jean\u2013Paul Galibert e seu manifesto&nbsp;<em>Cron\u00f2fagi<\/em>&nbsp;(2015), quando afirma que Galibert foi quem cunhou pela primeira vez o termo \u201ccronofagia\u201d, configurando\u2013o como uma das bases de sustenta\u00e7\u00e3o do hipercapitalismo contempor\u00e2neo. Scaffidi tamb\u00e9m se refere \u00e0 influ\u00eancia do termo&nbsp;Cronofagia&nbsp;em outro ensaio de 2015,&nbsp;\u201c<strong><em>Capitalism 24\/7 \u2013 Il capitalismo all\u2019attacco del sonno<\/em><\/strong>\u201d&nbsp;[Capitalismo 24\/7 \u2013 o sono sob ataque do sistema] de autoria de Jonahthan Crary, que \u201cevidencia como uma necessidade biol\u00f3gica fundamental entrou em claro contraste com as exig\u00eancias voltadas a alcan\u00e7ar a distopia de um capitalismo&nbsp;24 horas por dia, 7 dias por semana\u201d.&nbsp;<a href=\"about:blank\">https:\/\/outraspalavras.net\/mercadovsdemocracia\/cronofagia\u2013o\u2013roubo\u2013do\u2013tempo\u2013do\u2013sono\u2013e\u2013das\u2013ideias\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>I \u2013 Entrevistas e confer\u00eancias virtuais do autor sobre o tema:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul>\n<li>Entrevista \u00e0 TV 247 em 29 de julho de 2020.&nbsp;<strong>Roberto Moraes explica a economia dos apps e das plataformas<\/strong>. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=ScCkyeErIn8<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Semin\u00e1rio Inova\u00e7\u00e3o na Pol\u00edtica e no Espa\u00e7o<\/strong>&nbsp;(INCT\/RPP\/IPPUR\u2013COPPE\u2013UFRJ e Faperj. Mesa Redonda em 11 de agosto de 2020:&nbsp;<strong>Domina\u00e7\u00e3o no Territ\u00f3rio<\/strong>. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"about:blank\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=r0jfOHDbzuQ&amp;t=9505s<\/a><\/li>\n\n\n\n<li>Webinar Webinar RedeSist IE\/UFRJ em 20 de agosto de 2020:&nbsp;<strong>Capitalismo de plataforma e sa\u00fade: oportunidades para o territ\u00f3rio brasileiro<\/strong>. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"about:blank\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=VCmJfD0MhDQ&amp;feature=youtu.be<\/a><\/li>\n\n\n\n<li>Entrevista \u00e0 TV 247 em 26 de agosto de 2020.&nbsp;<strong>Roberto Moraes explica o poder das big techs na pandemia<\/strong>. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"about:blank\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Taz\u2013OlVR0Q4&amp;t=11s<\/a><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><strong>II \u2013 Lista de artigos do autor sobre o tema no seu blog e no portal 247:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A \u2013 Postagens no blog do autor<\/strong>&nbsp;(em ordem cronol\u00f3gica inversa: da mais recente para a mais antiga) sobre o tema da plataformiza\u00e7\u00e3o, home office e capitalismo de plataformas:<\/p>\n\n\n\n<p>1) Postagem em 10 de junho de 2020:<br><strong>O fen\u00f4meno da intensifica\u00e7\u00e3o da plataformiza\u00e7\u00e3o dos neg\u00f3cios durante e p\u00f3s\u2013pandemia.<\/strong><br>Link:&nbsp;<a href=\"about:blank\">https:\/\/www.robertomoraes.com.br\/2020\/06\/o\u2013fenomeno\u2013da\u2013intensificacao\u2013da.html<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>2) Postagem em 3 de junho de 2020:<br><strong>O aumento da digitaliza\u00e7\u00e3o altera o modo de produ\u00e7\u00e3o e nos remete \u00e0 fase de um capitalismo financeiro e de plataformas.<\/strong><br>Link:&nbsp;<a href=\"about:blank\">https:\/\/www.robertomoraes.com.br\/2020\/06\/o\u2013aumento\u2013da\u2013digitalizacao\u2013altera\u2013o.html<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>3) Postagem 13 de maio de 2020:<br><strong>A plataformiza\u00e7\u00e3o digital da vida p\u00f3s\u2013Covid ampliar\u00e1 a vampiriza\u00e7\u00e3o da renda do trabalho num processo de retroalimenta\u00e7\u00e3o do sistema.<\/strong><br>Link:&nbsp;<a href=\"about:blank\">https:\/\/www.robertomoraes.com.br\/2020\/05\/a\u2013plataformizacao\u2013digital\u2013da\u2013vida\u2013pos.html<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>4) Postagem em 2 de abril de 2020:<br><strong>O que os primeiros dias de intensifica\u00e7\u00e3o do trabalho em casa (home office) j\u00e1 permite enxergar.<\/strong><br>Link:&nbsp;<a href=\"about:blank\">https:\/\/www.robertomoraes.com.br\/2020\/04\/o\u2013que\u2013os\u2013primeiros\u2013dias\u2013de.html<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>5) Postagem em 15 de mar\u00e7o de 2020<br><strong>Se as plataformas digitais s\u00e3o neutras (\u201ce do bem\u201d), por que elas ajudam t\u00e3o pouco em situa\u00e7\u00f5es de crise como na pandemia do coronav\u00edrus?<br><\/strong>Link:&nbsp;<a href=\"about:blank\">https:\/\/www.robertomoraes.com.br\/2020\/03\/se\u2013as\u2013plataformas\u2013digitais\u2013sao\u2013neutras.html<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>6) Postagem em 14 de fevereiro de 2020<br><strong>Capitalismo de plataformas e a falsa economia do compartilhamento: 99 e Uber somam hoje mais de 1 milh\u00e3o de motoristas ativos no Brasil enriquecendo seus investidores globais.<\/strong><br>Link:&nbsp;<a href=\"about:blank\">https:\/\/www.robertomoraes.com.br\/2020\/02\/capitalismo\u2013de\u2013plataformas\u2013e\u2013falsa.html<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>B\u2013 Artigos no Portal 247 e no blog do autor:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>[7] Artigo em 1 de setembro de 2020.&nbsp;<strong>China defende sua capacidade algor\u00edtmica e de Intelig\u00eancia Artificial na guerra tecnol\u00f3gica com os EUA<\/strong>. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"about:blank\">https:\/\/www.brasil247.com\/blog\/china\u2013defende\u2013sua\u2013capacidade\u2013algoritmica\u2013e\u2013de\u2013ia\u2013na\u2013guerra\u2013tecnologica\u2013com\u2013os\u2013eua<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>[8] Artigo em 25 de agosto de 2020.&nbsp;<strong>Com pandemia, setor de tecnologia \u00e9 hegem\u00f4nico no Top 100 do Financial Times<\/strong>. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"about:blank\">https:\/\/www.brasil247.com\/blog\/com\u2013pandemia\u2013setor\u2013de\u2013tecnologia\u2013e\u2013hegemonico\u2013no\u2013top\u2013100\u2013do\u2013financial\u2013times<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>[9] Artigo em 22 de agosto de 2020.&nbsp;<strong>Vampirismo digital e agora consentido, autorizado e pago pela Petrobras \u00e0 Microsoft<\/strong>. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"about:blank\">https:\/\/www.brasil247.com\/blog\/vampirismo\u2013digital\u2013e\u2013agora\u2013consentido\u2013autorizado\u2013e\u2013pago\u2013pela\u2013petrobras\u2013a\u2013microsoft<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>[10] Artigo em 17 de agosto de 2020.&nbsp;<strong>Proibi\u00e7\u00e3o ao Alibaba \u00e9 mais uma etapa da guerra das plataformas digitais EUA x China<\/strong>. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.brasil247.com\/blog\/proibicao\u2013ao\u2013alibaba\u2013e\u2013mais\u2013uma\u2013etapa\u2013da\u2013guerra\u2013das\u2013plataformas\u2013digitais\u2013eua\u2013x\u2013china\u20138cjgrz5u<\/p>\n\n\n\n<p>[11] Artigo do autor no 247 em 4 de agosto de 2020.&nbsp;<strong>Mais elementos para explicar o poder das gigantes da tecnologia no capitalismo de plataformas<\/strong>. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"about:blank\">https:\/\/www.brasil247.com\/blog\/mais\u2013elementos\u2013para\u2013explicar\u2013o\u2013poder\u2013das\u2013gigantes\u2013da\u2013tecnologia\u2013no\u2013capitalismo\u2013de\u2013plataformas<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>[12] Artigo do autor no 247 em 31 de julho de 2020.&nbsp;<strong>A tecnopol\u00edtica como dimens\u00e3o do capitalismo de plataformas assassina a democracia liberal.<\/strong>&nbsp;Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"about:blank\">https:\/\/www.brasil247.com\/blog\/a\u2013tecnopolitica\u2013como\u2013dimensao\u2013do\u2013capitalismo\u2013de\u2013plataformas\u2013assassina\u2013a\u2013democracia\u2013liberal<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>[13] Artigo do autor no 247 em 28 de julho de 2020.&nbsp;<strong>Por que EUA limitariam suas Big Techs se elas controlam as veias digitais que ainda lhe d\u00e3o hegemonia geopol\u00edtica?<\/strong>&nbsp;Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"about:blank\">https:\/\/www.brasil247.com\/blog\/por\u2013que\u2013eua\u2013limitariam\u2013suas\u2013big\u2013techs\u2013se\u2013elas\u2013controlam\u2013as\u2013veias\u2013digitais\u2013que\u2013ainda\u2013lhe\u2013dao\u2013hegemonia\u2013geopolitica<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>[14] Artigo do autor no 247 em 26 de julho de 2020.&nbsp;<strong>Musk da Tesla exp\u00f5e a rela\u00e7\u00e3o dos financistas e das corpora\u00e7\u00f5es com a geopol\u00edtica dos EUA<\/strong>. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"about:blank\">https:\/\/www.brasil247.com\/blog\/musk\u2013da\u2013tesla\u2013expoe\u2013a\u2013relacao\u2013dos\u2013financistas\u2013e\u2013das\u2013corporacoes\u2013com\u2013a\u2013geopolitica\u2013dos\u2013eua<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>[15] Artigo do autor no 247 em 13 de julho de 2020.&nbsp;<strong>Por que o capitalismo contempor\u00e2neo n\u00e3o consegue mais criar trabalho? Outro mundo \u00e9 poss\u00edvel!<\/strong>&nbsp;Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"about:blank\">https:\/\/www.brasil247.com\/blog\/por\u2013que\u2013o\u2013capitalismo\u2013contemporaneo\u2013nao\u2013consegue\u2013mais\u2013criar\u2013trabalho\u2013outro\u2013mundo\u2013e\u2013possivel<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>[16] Artigo do autor no 247 em 3 de julho de 2020.&nbsp;<strong>Capitalismo de plataformas e Appfica\u00e7\u00e3o no Brasil e no mundo exp\u00f5em a superexplora\u00e7\u00e3o do trabalho<\/strong>. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"about:blank\">https:\/\/www.brasil247.com\/blog\/capitalismo\u2013de\u2013plataformas\u2013e\u2013appficacao\u2013no\u2013brasil\u2013e\u2013no\u2013mundo\u2013expoem\u2013a\u2013superexploracao\u2013do\u2013trabalho\u201398c5i9fk<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.comciencia.br\/#facebook\" rel=\"noreferrer noopener\" target=\"_blank\">Facebook<\/a><a href=\"https:\/\/www.comciencia.br\/#twitter\" rel=\"noreferrer noopener\" target=\"_blank\">Twitter<\/a><a href=\"https:\/\/www.comciencia.br\/#whatsapp\" rel=\"noreferrer noopener\" target=\"_blank\">WhatsApp<\/a><a href=\"https:\/\/www.comciencia.br\/#print\" rel=\"noreferrer noopener\" target=\"_blank\">Print<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>16 de setembro de 2020&nbsp;comciencia FacebookTwitterWhatsAppPrint Por Roberto Moraes Depois de duas d\u00e9cadas de utopia digital [1] e de uma cren\u00e7a difusa na ideia do progresso advinda da tecnologia, a<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9167,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/7ports.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9164"}],"collection":[{"href":"https:\/\/7ports.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/7ports.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/7ports.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/7ports.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=9164"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/7ports.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9164\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9165,"href":"https:\/\/7ports.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9164\/revisions\/9165"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/7ports.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/9167"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/7ports.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=9164"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/7ports.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=9164"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/7ports.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=9164"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}