Por que a máfia aqui nunca se instalou

Por que a máfia aqui nunca se instalou

É engraçado ver o ministro Gilmar falar, em tom de reprimenda, para um de seus contestadores, que até a Máfia tem regras — exatamente este é o tema desta crônica.

O ministro, embora indefensável, citou um fato relevante que comprova a necessidade da dissolução do SUPREMO, já que eles mesmos não cumprem as leis e, pior, utilizam a nossa rica língua para, em hermenêutica rasa, justificar seus “acórdãos”, hoje mais em desacordo, mas em consenso na prática comum de lawfare.

Realmente, na Máfia há regras: a traição, a deslealdade, o roubo e o homicídio são resolvidos com o mesmo peso. Mas aqui não se consegue saber quem é honesto ou desonesto, e isto derruba o código de ética dos mafiosos.

Para a Máfia surgir, em primeiro lugar, é preciso separar os honestos dos desonestos para poder-se corromper. Mas, se todos os juízes são corruptos, não há mais quem corromper, e simplesmente instala-se um conflito de interesses criminosos — e a Máfia deixa de existir.

Em segundo lugar, é necessário um ordenamento jurídico único. Uma Constituição clara, juízes probos e ilibados e presidentes, governadores, senadores, deputados, prefeitos e vereadores capitulados começam a desenhar uma ação impossível de se reverter.

Agrava-se, amiúde — não menos importante, ou até mais importante que tudo até aqui narrado — o fato da manipulação das polícias. E não é por falta destas, temos 19 polícias, quando precisaríamos apenas de três: federal, estadual e municipal. Parece tão simples.

Pode parecer irrelevante, mas não é, já que a palavra POLÍCIA nos remete à investigação. E aí os poderosos apressam-se em esconder a verdade que deveria se tornar pública toda vez que o alcance dos fatos nos afeta.

Temos todo tipo de “POLÍCIA”: legislativa, judiciária, penal, ferroviária, rodoviária, militar, Exército, Marinha, Aeronáutica, Civil, portuária, nacional, criminal, científica, fazendária, P1, P2, P3, P4, CORE, DRACO, Guarda Nacional e um monte de penduricalhos inservíveis — só não temos investigação isenta.

Isto ficou claro no pleno do STJ, quando um dos togados disse: “O senhor tem medo da Polícia Federal.” Um absurdo o nível do embate.

Pode parecer que não há correlação entre o Supremo e as diversas polícias, mas há. E o exemplo é límpido: a regra deveria ser aplicada exemplarmente, do Togado indicado ao Policial municipal, ainda que concursado.

Na esfera federal, ainda lembramos que os presidentes da República indicam os ministros do Supremo, e estes julgam — ou, melhor, garantem a imunidade jurídica — ao ponto de um advogado de um réu, ainda que o réu tenha tido anulada a sua condenação pelo CEP errado, indicar este advogado para ministro do SUPREMO.

Em qualquer lugar do mundo, isto seria um absurdo – Ou melhor um crime de lesa Patriá

Sem falar da sabatina do Senado, totalmente comprometida e totalmente parcial

Agenor Candido