Começou o Jogo Viciado
COMEÇOU O JOGO VICIADO DE NOVO
O processo eleitoral começou e, com ele, reapareceram todos os vícios das eleições passadas: rasteiras, punhaladas no peito, dinheiro sujo financiando campanhas — ainda que o TSE o proíba — e toda sorte de manobras que já conhecemos.
Enfim, a roleta está rodando novamente, e parece que nada mudou.
Os escândalos são tratados como banalidades ou simples deslizes, quase sempre sem a devida reprovação. Entretanto, os candidatos mais bem colocados nas pesquisas parecem pertencer à mesma obscuridade cultural e política que há décadas domina o cenário nacional.
Infelizmente, poucos apontam aquele que considero o erro fatal: a própria CONSTITUIÇÃO, acompanhada pela miopia de parte significativa do empresariado brasileiro. Tornamo-nos peões de um tabuleiro, atendendo a interesses — quase sempre interesses pequenos, imediatos e particulares.
Neste processo, não consigo identificar, entre os candidatos que se apresentam, a capacidade cognitiva e a visão de Estado que considero necessárias para a gestão de algo da dimensão e da complexidade da República Federativa do Brasil.
Resta-nos, então, a consciência coletiva do povo brasileiro, que continua dividido entre o inferno e o céu, entre extremos apresentados como se fossem as únicas alternativas possíveis.
A sabedoria popular vai nos surpreender?
Gostaria de acreditar que sim. Mas acredito que não.
Há uma questão ainda mais profunda: confundimos o ato de votar diretamente com a própria democracia. O voto direto pode ser um instrumento democrático, mas, por si só, não é garantia de democracia.
Quando a participação política se reduz ao simples ato de escolher periodicamente entre opções produzidas pelo próprio sistema, podemos estar diante não de uma democracia plena, mas daquilo que denomino democratismo: a aparência formal da democracia sem a necessária qualidade de representação, responsabilidade e racionalidade política.
A roleta está novamente girando.
A pergunta é: continuaremos apenas apostando ou algum dia teremos coragem de mudar as regras do jogo?
Agenor Candido Gomes
29/08/2026 – Saquarema, Rio de Janeiro