Opinião – O Brasil refém do narcoterrorismo

Opinião – O Brasil refém do narcoterrorismo

A tragédia ocorrida no Rio de Janeiro, com mais de uma centena de mortos após uma operação policial, revela de forma dolorosa o que muitos brasileiros já sabem há tempos: o Estado brasileiro faliu em sua missão mais básica — garantir segurança e a ordem pública.

Vivemos um cenário em que o crime organizado ocupa o espaço deixado pela ausência do poder público. Comunidades inteiras são dominadas por facções que impõem suas próprias leis, enquanto o Estado aparece apenas para reagir, quase nunca para prevenir. O resultado é previsível: violência, medo e descrença nas instituições.

Parte dessa falência vem da politicagem e da incompetência, tanto em nível estadual quanto federal. Em vez de políticas públicas consistentes de segurança, educação e inclusão social, o que se vê são disputas ideológicas e discursos vazios. A negação de medidas como a GLO, o despreparo dos serviços de inteligência e a falta de coordenação entre as forças de segurança mostram que a omissão custa vidas.

Mas é preciso também reconhecer a responsabilidade de cada cidadão. A corrupção e o descaso não nascem do nada: são alimentados por votos mal escolhidos, por um eleitorado que muitas vezes privilegia interesses pessoais em vez do bem coletivo.

O episódio do Rio não é apenas mais uma tragédia. É um alerta de que o narcotráfico se transformou em um poder paralelo e que, se nada for feito, caminharemos para um estado de guerra civil não declarada. Enquanto isso, famílias choram seus mortos, trabalhadores ficam reféns do medo, e o país segue prisioneiro de um sistema que parece ter perdido completamente o rumo.

Agenor Cândido – 29/10/2025