CORRIDA ELEITORAL: PSDB vai a convenção com três pré-candidatos a Presidência da Republica
Único partido que anunciou a realização de prévias para a eleição presidencial de 2022, o PSDB pode conhecer seu representante no pleito presidencial do ano que vem já neste domingo (21).
Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, João Doria, governador de São Paulo, e o ex-senador pelo Amazonas Arthur Virgílio disputam os votos de 44.697 afiliados e mandatários inscritos. Os candidatos participaram de um debate na CNN nesta semana.
O governador Eduardo Leite mal havia completado 3 anos de idade quando o PSDB foi fundado por dissidentes peemedebistas que queriam reviver a chama do MDB autêntico e mais ideológico – no caso, um alinhamento total com as ideias da social-democracia europeia. João Doria, por sua vez, era um jovem de 31 anos, que comandava a Embratur no governo Sarney. Era muito próximo de Covas e tudo indicava que ele se filiaria ao novo partido ainda em seus primeiros meses de vida. Doria, no entanto, somente assinaria uma ficha de filiação tucana em 2001.
Doria e Leite, ungidos governadores em 2018, mostraram certa afinação nos primeiros anos de mandato. Mas bastou que os dois se mostrassem interessados na sucessão presidencial de 2022 para que o partido começasse, mais uma vez, a rachar.
A cúpula peessedebista, no início do ano, mostrou que iria dificultar a vida de Doria dentro do partido e decidiu que as prévias não seriam definidas pelos votos dos filiados. As novas regras deram um peso de 25 % ao voto dos militantes partidários e de 75 % aos políticos com mandato e dirigentes da sigla. Com isso, a decisão sobre quem seria o candidato pelo PSDB seria primordialmente de cúpula. João Doria se mexeu e filiou muitos prefeitos e vice-prefeitos para virar o jogo.
Agora, os partidários de Leite acusam o diretório paulista do PSDB de adulterar datas de filiações de 92 prefeitos e vice-prefeitos de São Paulo para garantir a eles o direito ao voto nas eleições internas. A ideia é causar constrangimento e pressionar contra a candidatura de Doria. Essa estratégia, no entanto, é arriscada. Pode eventualmente levar à vitória do governador gaúcho nas prévias. Mas, se for vitorioso, chegará à campanha presidencial sem o apoio, na prática, de João Doria. Por mais que o prestígio eleitoral do governador paulista esteja arranhado no estado (as pesquisas mostram, desde o ano retrasado, uma popularidade decrescente), é praticamente impossível ganhar eleições nacionais sem contar com uma boa máquina em território paulista.
O raciocínio contrário também é válido. Leite foi para um “tudo ou nada” e provocou uma nódoa no relacionamento entre os governadores. Se Doria vencer – o que ainda é bastante provável –, o partido também estará rachado e pode caminhar, mais uma vez, para a derrota.
Agremiações rachadas ou marcadas por disputas acabam sempre amargando insucessos. Um bom exemplo disso é o que ocorreu no partido democrata americano nos anos 1960, fruto de uma antipatia forte existente entre Lyndon Johnson e Robert Kennedy. O relacionamento entre os dois nunca foi bom, desde o primeiro momento. Mas azedou de vez quando o presidente John Kennedy foi assassinado em Dallas, em novembro de 1963.
Johnson foi eleito em 1964 e poderia concorrer novamente em 1968. Mas começou a sofrer pressões internas para que desse a vez a Kennedy, já senador. Sua presidência foi muito atacada por conta da Guerra do Vietnã e boa parte dessas críticas vinham de parlamentares de seu próprio partido, insuflados pela disputa interna. Johnson irritou-se e anunciou que deixaria a vida pública, abrindo espaço para Bob Kennedy, que ganhou três eleições prévias regionais em seguida.
Como se sabe, o senador foi assassinado em um hotel em Los Angeles antes da convenção final e criou-se um vácuo entre os democratas (além dele, disputavam a indicação o vice-presidente Hubert Humphrey, o congressista Eugene McCarthy e o senador George McGovern). No final, Humphrey foi nomeado candidato e perdeu fragorosamente para Richard Nixon no colégio eleitoral (301 votos a 191 – o racista George Wallace obteria 46 votos).
Os democratas passaram a campanha de 1968 brigando. Apenas no final de outubro é que eles ensaiaram um entendimento, com Johnson promovendo o fim dos bombardeios ao Vietnã, seguindo uma sugestão de Humphrey, e McCarthy (não confundir com o senador Joseph McCarthy, que perseguia comunistas em Hollywood na década de 1950) apoiando o candidato apenas alguns dias antes da eleição. Não deu tempo para que se ensaiasse um virada.
Será que, em 2022, os tucanos vão acabar se entendendo?
Em política, tudo é possível. Mas não deve ser dessa vez que o PSDB vai se unir em torno de um só nome.







































































